Apoiadores do presidente Lula saíram para celebrar a vitória eleitoral no domingo, 25, em Muqui, no sul do Estado, mas a festividade foi interrompida por um confronto com a Polícia Militar. Milhares de militantes estavam nas ruas quando a Tropa de Choque da PM se posicionou no centro da cidade, inicialmente gerando expectativa de segurança, mas logo se transformando em uma ação repressiva.
Ériton Berçaco, presidente do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) em Muqui, descreveu o cenário como alarmante. Ele relatou que a polícia, em vez de garantir a segurança, estava armada e disposta a impedir qualquer celebração, utilizando spray de pimenta, bombas e até disparos em uma abordagem agressiva e sem diálogo. Berçaco também mostrou vídeos das agressões em suas redes sociais, onde é possível ver os policiais atacando civis que tentavam se aproximar de forma pacífica.
Várias pessoas, incluindo idosos e crianças, foram afetadas pelas ações da PM, com relatos de ferimentos, como o caso de um manifestante que ficou com o olho machucado devido a uma bala de borracha. Berçaco expressou sua indignação, afirmando que não havia justificativa para a atuação violenta, uma vez que a manifestação era pacífica.
Após os eventos, Berçaco tentou contatar o prefeito de Muqui, Sergio Luiz Anequim, conhecido como Camarão, que afirmou estar ciente do ocorrido e que havia conversado com o comandante da PM, mas Berçaco criticou a falta de uma resposta mais firme do Executivo.
Camarão é membro do Partido Liberal, mesmo partido do candidato derrotado Flávio Bolsonaro. Contudo, em nível estadual, apoiou Ricardo Ferraço (MDB) na corrida para o governo, que foi derrotado por Lorenzo Pazolini (Republicanos).
A responsabilidade sobre a Polícia Militar é do Governo do Estado, embora as forças de segurança frequentemente colaborem com as prefeituras em ações locais. A Prefeitura de Muqui não respondeu aos pedidos de comentário sobre a situação.
A PM do Espírito Santo se manifestou em nota, afirmando que as ações visavam manter a ordem pública e a segurança, tanto dos cidadãos quanto dos próprios policiais. A corporação alegou que a manifestação começou de maneira pacífica, mas, à medida que avançava, comportamentos começaram a comprometer a segurança pública. A PM relatou que, após tentativas de diálogo e orientações, a situação tornou-se mais tensa, necessitando da utilização de medidas de controle, incluindo equipamentos de menor potencial ofensivo, para assegurar a integridade dos policiais e das pessoas presentes.
Ainda de acordo com a PM, não foi possível identificar ou prender os agressores e não houve registros de feridos vinculados à operação, ressaltando que a Corregedoria da PM realizará uma investigação para esclarecer os eventos e os procedimentos adotados.

