Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se encontraram no dia 18 de setembro, durante um debate promovido pela Band e Estadão, onde abordaram diversas questões relevantes para o segundo turno das eleições.
O setor de checagem de fatos, do Estadão, analisou a precisão das afirmações feitas pelos dois candidatos ao longo do evento. Foram levadas em conta apenas as afirmações que envolvem dados objetivos, como números e datas. As alegações foram classificadas nas categorias “falso”, “enganoso”, “exagerado”, “subestimado”, “impreciso”, “falta contexto” e “verdadeiro”.
As assessorias dos candidatos foram consultadas para comentários sobre as checagens, e o texto pode ser atualizado caso haja retorno por parte deles.
Lula primeiro abordou o tema dos graus de investimento, afirmando que foi o primeiro na presidência a conseguir dois selos para o Brasil. A checagem confirmou que isso é verdadeiro, já que, em 2008, o Brasil recebeu pela primeira vez o grau de investimento das agências Fitch Ratings e S&P, seguido pelo selo da Moody’s em 2009.
Em relação ao crescimento da economia, Lula alegou que o Brasil crescia 7,5% quando ele era presidente e que o país só voltou a ter crescimento acima de 3,5% com seu retorno ao cargo. Essa afirmação foi considerada enganosa, uma vez que em 2010, durante o governo de Lula, o PIB realmente cresceu 7,5%, mas em 2021, no governo de Jair Bolsonaro, o crescimento foi de 4,6%.
Lula também mencionou a criação do microempreendedor individual (MEI) e afirmou que existem 17,5 milhões de MEIs no Brasil. A verificação confirmada que essa afirmação é verdadeira, pois existem 17,56 milhões de microempreendedores ativos.
Sobre a dívida com o FMI, Lula declarou que, quando assumiu em 2003, o Brasil devia US$ 30 bilhões, e ao final de seus mandatos, já tinha quitado essa dívida, com reservas de US$ 270 bilhões. Essa afirmação também foi classificada como verdadeira.
Em outro ponto, Lula alegou que o governo devolveu R$ 3,5 bilhões a aposentados prejudicados por descontos indevidos no INSS, o que foi confirmado como verdadeiro, de acordo com dados oficiais. A informação é que R$ 3,52 bilhões foram pagos a 5 milhões de aposentados e pensionistas.
Lula também disse que Flávio Bolsonaro teria contado 43 mentiras sobre seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, o que foi verificado como verdadeiro, com base em levantamento de um site de checagem.
Além disso, afirmou que Flávio comprou uma casa de R$ 10 milhões. Essa informação foi considerada exagerada, já que o patrimônio declarado de Flávio Bolsonaro foi de R$ 8,1 milhões, incluindo uma mansão de R$ 6,2 milhões.
Lula também se referiu a Jair Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente mentia 11 vezes por dia. Essa afirmação foi classificada como exagerada, pois relatórios mostraram que Bolsonaro fez mais de quatro declarações falsas por dia durante seu mandato.
Ele também citou a votação de Flávio contra o aumento da licença-maternidade no Rio de Janeiro, afirmando que foi o único a se opor à ampliação do tempo. Essa afirmação foi classificada como verdadeira.
Lula ainda mencionou manifestação a favor de Flávio, na qual havia pedidos para que os Estados Unidos atacassem o Brasil, informação que também foi confirmada como verdadeira.
Em relação a privatizações, declarou que Flávio Bolsonaro quer privatizar 95% das estatais brasileiras, afirmação considerada verdadeira, uma vez que ele mesmo defendeu isso em uma entrevista.
Lula também disse que, no governo Bolsonaro, o salário mínimo não foi ajustado acima da inflação em nenhum ano. Essa afirmação foi classificada como enganosa, pois em 2019 houve um aumento real de 1,14%.
Ele comentou sobre o programa Mais Médicos, afirmando que havia 18 mil médicos no programa quando era presidente, mas que, ao retomar o cargo, o número tinha caído para 12 mil. Essa alegaçao foi considerada imprecisa, pois em 2023 o programa tinha 13,7 mil médicos.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, fez diversas afirmações. Ele discorreu sobre a Lei Antifacção, afirmando que lideranças de facções criminosas ficariam presas por 80 anos, o que foi considerado enganoso, pois a mudança nas penas não se aplica de forma automática.
Ele também afirmou que o PT governou por 20 dos últimos 24 anos, o que foi considerado exagerado, uma vez que o PT governou por 17 anos, quatro meses e 12 dias em um período de 24 anos.
Em relação ao filme sobre Lula, Flávio disse que recebeu R$ 30 milhões “por fora” de Vorcaro, o que foi classificado como falta de contexto, já que a veracidade do relato foi contestada pela Polícia Federal.
Flávio também alegou que Lula gastou R$ 7 bilhões com viagens da primeira-dama, informação considerada enganosa, pois o valor se referia a gastos de inúmeras pessoas, incluindo servidores públicos, e não apenas da presidência.
Sobre outros temas, Flávio mencionou o irmão de Lula, afirmando que ele é vice-presidente de um sindicato investigado por desvios e fraudes no INSS. Essa afirmação foi classificada como falta de contexto, uma vez que o irmão não é investigado.
Flávio também falou sobre o apoio de Lula à medida para combater a corrupção no INSS e sobre Lula ter recebido 73% dos votos no sistema prisional, informações que foram consideradas como falta de contexto.
A questão da identificação de armas foi abordada por Flávio, que negou desejar eliminar a identificação em munições, afirmativa que foi checada e considerada falsa.
Flávio ainda se manifestou sobre o escândalo do Mensalão, afirmando que Lula contrata pessoas condenadas no caso, o que foi verificado como falso, pois não há evidências disso.
Por fim, ele fez menção a recordes de fechamento de empresas sob o governo Lula, uma afirmação que foi classificada como falta de contexto devido ao aumento no número de novos negócios abertos no mesmo período.
O debate trouxe à tona diversas questões que serão de grande relevância para o pleito, e as checagens das informações deverão auxiliar o eleitor na formação de sua opinião.

