segunda-feira, outubro 19, 2026
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PF prende mãe e irmão de Oruam em operação contra ‘internet do tráfico’ no RJ

Na última segunda-feira (19), a Polícia Federal (PF) prendeu Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, esposa de Marcinho VP e mãe do rapper Oruam, juntamente com Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, que é o filho do casal. A ação faz parte da Operação Backbone, que investiga o monopólio do fornecimento de internet controlado pelo Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão, Penha e Chapadão, localizados na zona norte do Rio de Janeiro.

A reportagem buscou contato com o advogado que representa os detidos, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.

Marcinho VP é considerado um dos principais líderes da facção e cumpre pena em um presídio federal, estando atrás das grades há quase 30 anos. Este não é um episódio inédito na trajetória criminal da família, pois, em abril, Márcia e Lucas, junto com Oruam, já haviam sido alvos de uma investigação relacionada a lavagem de dinheiro ligada ao CV. Embora Lucas tenha tido a prisão preventiva decretada na época, a 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio concedeu habeas corpus em agosto, permitindo que ele respondesse ao processo em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica.

Na denúncia anterior, Lucas foi descrito como o gestor financeiro subsequente do núcleo familiar, responsável por dar seguimento às ordens da liderança e administrar recursos associados à lavagem de dinheiro, embora ele negue as acusações.

A Operação Backbone visa o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão, que foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e têm abrangência em diversas localidades, incluindo Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Até às 10h da manhã de segunda-feira, já haviam sido detidas mais 17 pessoas, algumas delas já cumprindo pena.

Além disso, o STJ determinou o bloqueio de R$ 558 milhões em bens e ativos de 40 indivíduos e 42 empresas, incluindo provedores de internet. As atividades dessas empresas também foram suspensas, abrangendo produtoras de eventos, escritórios de contabilidade e entidades de fachada.

A Anatel será acionada para cancelar as permissões concedidas aos provedores envolvidos e interromper seus serviços. A PF assegurou que tomará as medidas necessárias para que os moradores das comunidades afetadas não fiquem sem acesso à internet.

Conforme investigações, membros armados da facção estavam cortando cabos e incendiando caixas de distribuição de operadoras autorizadas e concorrentes, também impedindo a realização de reparos pelos técnicos, forçando assim os residentes e comerciantes a optarem pela chamada “internet do tráfico”. Os provedores ligados ao CV pagavam mensalmente para operar nas comunidades. De acordo com registros contábeis da facção, em um único mês, a cobrança pela internet representou mais de 40% da receita do CV no Complexo da Penha.

Para a PF, a exploração desse serviço se tornou uma das fontes de renda mais lucrativas da facção e contribui para a violentação pela disputa de territórios, já que cada comunidade dominada representa uma nova clientela sem alternativas.

Os indivíduos investigados poderão ser processados por uma variedade de crimes, incluindo domínio social estruturado, extorsão, atentado contra a segurança de serviços públicos, interrupção de serviços telemáticos, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro, entre outros.

Esta operação corresponde à força-tarefa Missão Redentor 2, que é coordenada pela PF, com o objetivo de combater facções criminosas no estado do Rio de Janeiro, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo STF em relação à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, também conhecida como ADPF das Favelas.

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