A Polícia Civil declarou que a engenheira Vitória Espíndola, de 28 anos, foi assassinada e seu corpo está enterrado em uma área do Morro do Romão, em Vitória. O desaparecimento de Vitória foi registrado em 15 de outubro de 2025 e gerou uma operação contra integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), que resultou na prisão de pelo menos 11 pessoas nesta quarta-feira (7).
Segundo a delegada responsável pelo caso, Gabriela Enne, a investigação indicou elementos suficientes para caracterizar o desaparecimento como homicídio. Ela afirmou: “Não temos dúvida de que ela foi morta”. A polícia acredita que a localização do corpo da vítima é complicada devido à extensão do terreno e suas características.
Desde o seu desaparecimento, diversas ações de busca já foram realizadas pela Polícia Civil na região. Novas operações continuam a ser programadas, apontou Gabriela.
O caso de Vitória envolve um contexto de dívidas geradas no tráfico de drogas. Ela, que se mudou do Mato Grosso do Sul para o Espírito Santo após um rompimento amoroso, acabou se envolvendo com um traficante e residiu no Morro do Romão. A investigação revelou que membros da organização criminosa colocaram drogas em seu nome, resultando em uma dívida que, segundo a delegada, teria motivado sua execução.
Ainda de acordo com Gabriela, a desavença relacionada a essa dívida teria originado a decisão de matar a jovem. O homem que a levou ao Morro do Romão não é considerado o responsável pelo crime, já que eles terminaram o relacionamento antes do assassinato, mas Vitória permaneceu na comunidade. Um dos líderes do tráfico, que está foragido no Rio de Janeiro, é apontado como o mandante do crime, e um dos executores também é procurado pela polícia.
As investigações em torno do desaparecimento de Vitória revelaram o domínio do TCP na região. A polícia descobriu que a organização criminosa impunha regras aos moradores, utilizando táticas de intimidação e ameaças para manter o controle. Relatos indicam que olheiros foram posicionados em pontos estratégicos e que mensagens em grupos de WhatsApp eram utilizadas para monitorar as operações policiais.
Durante a Operação Hidra, deflagrada em 7 de outubro, foram expedidos 20 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão, resultando na detenção de ao menos 11 pessoas ligadas ao TCP. A ação, que envolveu cerca de 140 policiais e o apoio de um helicóptero, teve o foco em expor e enfraquecer a estrutura criminosa.
Em meio aos desdobramentos da operação, a polícia apreendeu um caderno com anotações financeiras do tráfico e adesivos relacionados a festas clandestinas organizadas para arrecadar dinheiro para as atividades ilícitas. Além disso, a investigação destacou o uso de armas e explosivos como métodos de coerção.
Um dos suspeitos da operação tentou escapar durante a abordagem policial, utilizando um alçapão em uma casa, mas foi capturado e preso. Apesar das prisões, a localização do corpo de Vitória continua sendo uma das prioridades. A delegada ressaltou que as informações obtidas na Operação Hidra poderão auxiliar na investigação do homicídio, com a expectativa de que novas operações sejam realizadas para descobrir o paradeiro da engenheira e elucidar todos os aspectos do crime.
