quinta-feira, outubro 8, 2026
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Estudo revela que a influência da China é mais valorizada do que a dos EUA na América Latina

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A América Latina apresentou um desencanto significativo com muitos dos líderes de esquerda que estiveram no poder nos últimos anos. Nas eleições recentes, diversos países da região optaram por candidatos de direita. No entanto, essa mudança não resultou em uma adesão imediata às políticas dos Estados Unidos, especialmente durante a gestão de Donald Trump.

De acordo com a pesquisa anual Latinobarómetro, pela primeira vez, os latino-americanos veem a influência da China de forma mais favorável do que a dos Estados Unidos. As evidências dessa tendência são claras:

  • 65% dos entrevistados avaliam positivamente a influência chinesa, um aumento em relação a 48% em 2020.
  • Apenas 57% consideram a influência dos EUA positiva.

O Chile se destaca como exemplo de um aparente paradoxo, já que o país elegeu José Antonio Kast, um conservador próximo a Trump. Apesar disso, 70% dos chilenos têm uma visão positiva sobre a influência da China, enquanto apenas 46% fazem o mesmo em relação aos Estados Unidos.

Entretanto, essa avaliação não implica que o governo chileno sob Kast tenha se tornado subitamente favorável à China, nem que a população da América Latina esteja abandonando a tradicional referência política americana.

Quando questionados sobre a imagem dos dois países, os EUA ainda gozam de uma vantagem, mas a percepção de sua influência é mais complexa. Marta Lagos, diretora do Latinobarómetro, oferece uma visão provocativa: a China preenche um "vazio" econômico, especialmente voltado para as necessidades financeiras das populações locais.

Para muitos, a presença chinesa não é percebida em termos de comunismo ou democracia, mas sim através da oferta de produtos como celulares, carros e eletrodomésticos, que se tornaram mais acessíveis. Para os países da região, a China se apresenta como um parceiro em comércio, infraestrutura e investimento, além de ser um cliente das suas matérias-primas.

A visão que se tem da China difere bastante da que é frequentemente projetada pelos Estados Unidos como uma rival geopolítica. Por outro lado, a percepção positiva dos EUA na América Latina caiu de 73% em 2024 para 63% neste ano, e 55% dos respondentes acreditam que as políticas de Trump terão um impacto prejudicial no mundo. Essa diminuição não pode ser atribuída exclusivamente à figura do presidente americano, mas as diferenças são evidentes.

Esse cenário ajuda a desfazer a ideia comum de que as escolhas políticas na região estão necessariamente interligadas. Os latino-americanos parecem dividir suas preferências em três áreas distintas: líderes políticos, valores defendidos e quais potências são vistas como benéficas.

Desencantados com a esquerda, os países da América Latina têm escolhido a direita nas urnas, mas quando o assunto é a competição entre as grandes potências, as preferências parecem apontar para a China.

Em outros tópicos, na prisão feminina de segurança máxima de Chorrillos, em Lima, detentas estão confeccionando bonecos de veludo do papa Leão XIV, como parte de um programa de reintegração produtiva.

Além disso, a jornalista Catalina Oquendo publicou "Los Nuestros", um livro que aborda os "falsos positivos" e suas trágicas consequências para as famílias envolvidas.

Por fim, inicia neste fim de semana o 54º Festival Internacional Cervantino em Guanajuato, que contará com a participação de 2.746 artistas de 29 países, oferecendo uma variedade de música, teatro e dança, com a França como convidada de honra. O festival se estende por 16 dias, apresentando uma programação diversificada que inclui nomes renomados.

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