quinta-feira, outubro 8, 2026
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XP prevê “ressaca” antecipada na economia e reduz projeção do PIB para 2026

A XP atualizou suas previsões para o crescimento da economia brasileira em 2026, reduzindo a expectativa do Produto Interno Bruto (PIB) para 1,7%, em comparação com a estimativa anterior de 2%. Essa revisão ocorreu após a divulgação do PIB do segundo trimestre, tendo como um dos fatores a diminuição de componentes mais vulneráveis às taxas de juros. No entanto, a projeção para 2027 permanece em 1%, embora com um risco maior de queda.

De acordo com Rodolfo Margato, economista da XP, a equipe já previa uma desaceleração na atividade econômica doméstica a partir do quarto trimestre deste ano, mas notou que os sinais de arrefecimento começaram antes, no final do segundo trimestre. O PIB do segundo trimestre apresentou um crescimento de 0,5% em relação ao trimestre anterior; no entanto, o consumo das famílias caiu 0,4%, o que gerou preocupação entre os especialistas, mesmo com o aumento da renda real e as medidas temporárias de estímulo econômico.

O relatório da XP aponta que a economia brasileira está se enfraquecendo mais rapidamente do que o esperado, considerando que o endividamento de empresas e famílias, em um contexto de juros elevados, já estava previsto e reduziria a demanda doméstica. Isto já provocou uma revisão das expectativas de crescimento do PIB para o próximo ano.

O relatório também observa que as previsões agora são menos otimistas em relação aos principais indicadores econômicos para julho, apontando estabilidade no PIB do terceiro trimestre ao invés de um crescimento de 0,3% anteriormente estimado. A XP prevê que o baixo dinamismo continue no quarto trimestre.

Quanto ao mercado de trabalho, há indícios de desaceleração no aumento de vagas e crescimento da renda, o que deve impactar negativamente o crescimento econômico nos próximos trimestres. Um dos principais riscos identificados é o mercado de crédito, que enfrenta aumento na inadimplência e queda na concessão de financiamentos, resultando em um apetite reduzido para o consumo, afetando a produção e acesso a serviços.

Em relação às projeções de câmbio, inflação e Selic, a XP mantém a expectativa de que a cotação do dólar se estabilize em R$ 5 até o final de 2026 e a R$ 5,30 em 2027. A previsão de inflação, medida pelo IPCA, foi ajustada de 5,1% para 5,0%, devido a recentes mudanças e a atualização da bandeira tarifária de energia. A taxa básica de juros, atualmente em 14%, é projetada para 13,25% em 2026 e 11,50% em 2027.

A XP acredita que os sinais de desaceleração recentes podem levar o Banco Central a continuar seu ciclo de cortes nas taxas de juros, com a próxima reunião do Comitê de Política Monetária agendada para 21 e 22 de setembro. Entretanto, os economistas ressaltam que ainda existem riscos associados ao cenário inflacionário, como a política monetária dos Estados Unidos, a pressão nos preços do petróleo e os efeitos climáticos do El Niño, que podem impactar os preços de alimentos nos próximos meses.

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