O Espírito Santo deve registrar cerca de 950 novos casos de câncer de mama em 2026, conforme estimativas do Instituto Nacional de Câncer. Diante desse cenário, a capital do estado, Vitória, espera contabilizar 110 diagnósticos. Esse contexto destaca a relevância de uma patologia que, embora possa avançar sem sintomas, pode também manifestar sinais como nódulos, alterações cutâneas e mudanças no mamilo. Quando identificada precocemente, as chances de tratamento e recuperação aumentam consideravelmente.
Para facilitar o acesso a exames, a Prefeitura de Vitória disponibiliza 5 mil mamografias durante o mês de Outubro Rosa, quase quatro vezes mais que a média mensal de 1.300 procedimentos. Além disso, a oferta inclui 3,5 mil ultrassonografias de mama e transvaginais.
A cidade implementou um programa que visa acompanhar o percurso das pacientes desde a suspeita de câncer até o início do tratamento, minimizando a perda de mulheres entre consultas e exames.
A médica veterinária Mariana de Souza Rodrigues, que descobriu a doença aos 32 anos, teve sua situação iniciada após notar uma pequena alteração no corpo. Durante as férias, ela esbarrou em uma cômoda e sentiu um nódulo que nunca havia percebido. Após retornar da viagem, Mariana enfrentou dificuldades para encontrar um médico, levando cerca de um mês entre a descoberta do nódulo e a consulta, período que foi marcado pelo medo da possibilidade de ser câncer.
Após a confirmação da suspeita, que revelou um tumor pequeno, mas agressivo, Mariana passou por cirurgia, 16 sessões de quimioterapia e radioterapia. Após 11 anos, ela está curada e segue com acompanhamento anual por meio de mamografias.
O câncer de mama é o tipo mais prevalente entre as mulheres brasileiras, ficando atrás apenas de tumores de pele não melanoma. O Instituto Nacional de Câncer estima a ocorrência de 78.610 novos casos anuais no Brasil entre 2026 e 2028, representando cerca de 30% dos diagnósticos de câncer em mulheres. No Espírito Santo, 501 novos casos foram identificados entre janeiro e setembro de 2025.
A oncologista Arianne Velasquez ressalta que a detecção de tumores menores pode mudar o curso do tratamento, com pacientes que apresentam tumores inferiores a um centímetro tendo mais de 90% de chance de cura. O prognóstico está intimamente ligado ao tipo de tumor, agressividade da doença, estágio em que foi encontrado e condições de saúde da paciente.
Embora o nódulo endurecido seja o sintoma mais comumente associado ao câncer de mama, outros sinais também devem ser observados, como alterações na pele, no formato da mama e no mamilo. Os principais alertas incluem:
– Nódulo endurecido, fixo ou que aumenta de tamanho;
– Pele avermelhada ou com textura semelhante à “casca de laranja”;
– Recuo na pele da mama;
– Modificações no formato da mama ou retração do mamilo;
– Secreção espontânea, especialmente de uma mama;
– Alterações no tamanho ou formato da mama;
– Nódulos nas axilas ou pescoço.
É fundamental que qualquer alteração suspeita seja avaliada por um profissional de saúde, independentemente da idade da mulher. Conhecer o próprio corpo é um passo importante para identificar mudanças, mas não substitui consultas e exames.
O Ministério da Saúde recomenda a realização de mamografias de rastreamento a cada dois anos para mulheres com idades entre 50 e 74 anos que não apresentem sinais ou sintomas. Aqueles com idades entre 40 a 49 anos e acima de 74 também podem realizar o exame pelo SUS, após orientação sobre riscos e benefícios.
Durante o Outubro Rosa, Vitória oferece 5 mil mamografias e 3,5 mil ultrassonografias de mama e transvaginais. As mulheres deverão procurar as 29 unidades de saúde da cidade para avaliação médica. Caso haja necessidade, o exame será solicitado, independentemente da idade da paciente.
Além disso, a cidade recentemente regulamentou um programa para navegar pacientes com suspeita ou diagnóstico de neoplasia maligna. Com uma equipe dedicada a monitorar consultas e exames, o programa busca evitar que as mulheres enfrentem dificuldades financeiras e sociais que possam atrasar o tratamento.
A médica veterinária Mariana, mesmo após anos de seu tratamento, continua a realizar exames regularmente e recomenda que, mesmo frente ao medo de um diagnóstico, as mulheres procurem ajuda. Essa atitude pode ser crucial, pois o câncer de mama tem altas chances de cura quando identificado precocemente. Mariana acredita que campanhas como o Outubro Rosa devem se estender além de um único mês, enfatizando a importância do acompanhamento médico e do acesso a exames ao longo do ano.

