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Uma Fonte para o Futuro

A transformação ambiental muitas vezes começa com ações locais e, em São Gabriel da Palha, no Noroeste do Espírito Santo, essa jornada começou em 2016. A região, conhecida pela sua forte ligação com a produção de café, enfrentava uma crescente escassez de água que gerava preocupações entre os produtores rurais e os residentes. Diante desse desafio, Advaldo Antônio Zotelle, que fundou a Cooperativa dos Caminhoneiros de São Gabriel da Palha (Coopcam), decidiu agir utilizando uma área da propriedade familiar.

Advaldo se lembrou de uma nascente que abastecia a casa da família na sua infância, localizada na propriedade de Adenilson Francisco Zanotelle, no Córrego General Rondon, na zona rural do município. Há cerca de 30 a 35 anos, essa nascente fornecia água suficiente para uso doméstico. Contudo, com o passar do tempo, a área foi degradada, a vegetação diminuiu, e a água da chuva deixou de se acumular adequadamente no vale.

Motivado pela memória do local e pela urgência da escassez hídrica, Advaldo começou a construir barreiras para reter a água. Ele destacou que, ao iniciar o projeto, a nascente estava completamente seca, com a vegetação bastante comprometida. A equipe cercou a área, fez limpeza e trabalhou na recuperação do solo para evitar a erosão. Atualmente, quatro barragens ajudam a conservar a água, e um total de 50 a 60 árvores foram plantadas na cabeceira da nascente, o que resultou na reaparição da água.

O projeto, que inicialmente visava enfrentar a falta de água, evoluiu ao longo dos anos. Tornou-se uma iniciativa mais abrangente, unindo a recuperação ambiental, a conservação dos recursos hídricos e a educação das novas gerações.

São Gabriel da Palha, situada a cerca de 200 km da capital Vitória, é reconhecida como a Capital Nacional do Café Conilon, com uma produção agrícola que movimenta anualmente mais de R$ 936 milhões. O café representa cerca de 85,5% da lavoura permanente da cidade, que abriga a maior cooperativa de café conilon do Brasil, a Cooabriel.

A realidade da região é marcada por uma teia produtiva que envolve agricultores, cooperativas e famílias, e essa dinâmica depende da disponibilidade dos recursos naturais. A escassez de água, portanto, não é apenas um desafio ambiental, mas também uma ameaça à segurança e à produção local.

Desde 2019, a situação se agravou com um incêndio acidental que destruiu parte da vegetação próxima à nascente. A combinação de secas prolongadas e a perda de cobertura vegetal evidenciam a vulnerabilidade dos ambientes naturais. A degradação da vegetação expõe o solo, aumentando o risco de erosão e complicando a absorção da água, um problema que se torna ainda mais crítico diante das mudanças climáticas.

Projeções do Governo do Espírito Santo indicam um aumento significativo das temperaturas, podendo chegar a 3,5 graus até 2080 em um cenário de emissões moderadas e até 6 graus em altas emissões. Estima-se que na região Norte do estado, os períodos sem chuva aumentem em mais de 70 dias em relação a padrões anteriores, enquanto na Bacia do Rio Doce, há indicações de redução das chuvas e das correntes dos rios.

Além da agropecuária, o setor industrial e os ecossistemas aquáticos também enfrentam riscos nesse cenário de mudanças climáticas. As projeções indicam que as secas poderão ser mais frequentes, especialmente nas regiões Norte e Noroeste do Espírito Santo.

Desde sua fundação em 2008, a Coopcam atua no transporte de produtos agrícolas, especialmente café e insumos, e reconhece o papel crucial que o transporte desempenha na cadeia produtiva. O presidente destaca que quase todo o transporte realizado envolve café e fertilizantes, mostrando a interdependência entre a agricultura e o setor de transporte.

A cooperativa também oferece assistência aos cooperados, mantendo pontos de distribuição de óleo diesel em São Gabriel da Palha e Nova Venécia, apoiando assim as atividades dos associados. Para o presidente, é vital que as cooperativas devolvam algo à sociedade, e a recuperação da Reserva Vovó Lena exemplifica esse compromisso.

Desde 2023, a Coopcam envolveu seis escolas em atividades que conscientizam os alunos sobre a importância da conservação e do cuidado com a natureza. Aproximadamente 460 alunos, junto com seus pais, participaram de iniciativas ligadas ao meio ambiente.

Os resultados da recuperação na área começaram a aparecer, com a primeira barragem acumulando água novamente e a vegetação em recuperação. A Reserva Vovó Lena compreende um total de 7.500 metros quadrados, sendo 5 mil metros já preservados e 2.500 em recuperação. O acompanhamento contínuo e a educação ambiental são essenciais para garantir que as futuras gerações se tornem mais conscientes e conectadas à natureza.

Assim, a história da Reserva Vovó Lena se converteu em um simbolismo de cuidado e responsabilidade, unir esforços para revitalizar o meio ambiente e fomentar um compromisso coletivo pelo futuro.

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