quarta-feira, outubro 7, 2026
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Um ano após o cessar-fogo, Gaza ainda enfrenta mortes e impasse na recuperação pós-guerra.

Há um ano, Donald Trump declarou o fim da guerra na Faixa de Gaza. Passados doze meses, o cessar-fogo permanece oficialmente em vigor, mas as operações militares e os ataques aéreos israelenses continuam a causar mortes entre os palestinos.

No último relatório do escritório de assuntos humanitários da ONU, divulgado no domingo, o Ministério da Saúde de Gaza, vinculado às autoridades locais, registrou pelo menos 1.431 mortos e 5.026 feridos desde o anúncio do cessar-fogo em 10 de outubro do ano anterior. Esses números incluem vítimas que sucumbiram a ferimentos e corpos encontrados nos escombros. No mesmo período, quatro soldados israelenses perderam a vida em ações do Hamas, conforme relatado pelo Exército de Israel.

Embora a violência tenha diminuído em 61% em comparação ao segundo ano da guerra, de acordo com dados do Banco de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados, 1.915 palestinos morreram em Gaza no último ano, além de 165 na Cisjordânia. O analista de um estudo de conflitos destaca que, enquanto a violência diminuiu em Gaza, no Líbano a situação se agrava, com a violência atingindo níveis alarmantes. Segundo o especialista, Israel adotou um controle territorial rigoroso como estratégia para pressionar Hamas e Hezbollah a desarmar.

As Forças Armadas de Israel afirmam que suas operações têm como objetivo neutralizar membros e estruturas das facções envolvidas. Tanto Jerusalém quanto Hamas se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo. O acordo exige que as forças israelenses permaneçam em 53% de Gaza, com uma retirada posterior. No entanto, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu declarou em maio que Israel já controlava 60% do território e que as tropas alcançariam 70%.

Atualmente, 65% do território de Gaza continuam com restrições de acesso, dificultando a reconstrução. A ONU e organizações humanitárias ressaltam que as limitações de suprimentos e a necessidade de infraestrutura ampliam a precariedade da população civil. O governo israelense justifica suas ações como respostas a ataques do Hamas e alegações de violações do cessar-fogo, afirmando que algumas restrições são necessárias por razões de segurança.

A situação humanitária em Gaza continua grave, com cerca de 2,1 milhões de habitantes, onde a maioria permanece deslocada. As necessidades com relação a moradia e itens domésticos são alarmantes; 94% da população local precisa urgentemente de assistência, e 65% das famílias vivem em tendas ou abrigos improvisados. Uma análise de imagens de satélite revelou que 82% das estruturas de Gaza sofreram danos, com mais de 200 mil construções atingidas. Aproximadamente dois terços dessas estruturas foram consideradas totalmente destruídas.

O custo para a recuperação e reconstrução de Gaza na próxima década é estimado em US$ 71,4 bilhões, dos quais US$ 26,3 bilhões seriam necessários nos primeiros 18 meses. O relatório indica um retrocesso de 77 anos no desenvolvimento humano do território. Apesar da redução nas operações militares, as questões pendentes se tornaram mais complexas. Um plano dos EUA prevê uma administração palestina tecnocrática, a retirada gradual das tropas israelenses e o desarmamento do Hamas.

Em janeiro, Trump anunciou a criação de um Conselho da Paz, que ele próprio lideraria, para supervisionar a implementação do plano. Em julho, o Hamas anunciou a dissolução do órgão responsável por administrar sua estrutura em Gaza, indicando a entrega de funções civis a um comitê formado por tecnocratas palestinos. Israel classificou isso como uma manobra enquanto o Hamas não ceder suas armas, mantendo restrições ao acesso dos novos administradores ao território.

Desde então, as negociações têm enfrentado um impasse. Um plano de 15 pontos proposto por Trump sugere que o Hamas se desmilitarize enquanto Israel retire suas tropas progressivamente. Em agosto, Netanyahu rejeitou essa abordagem, destacando que a retirada não ocorrerá antes que o Hamas se desarme. Por sua vez, o Hamas exige que Israel cumpra suas obrigações, especialmente a saída das tropas.

No último domingo, Netanyahu reafirmou que as operações israelenses continuarão, afirmando que um governo do Hamas não será tolerado em Gaza. Ele e o ministro da Defesa declararam que a perseguição a membros da facção prosseguirá até que o Hamas seja completamente eliminado.

No dia 7 de outubro de 2023, um ataque coordenado do Hamas e de outros grupos terroristas palestinos resultou na morte de mais de 1.200 israelenses, caracterizando-se como o maior ataque terrorista na história de Israel e um dos piores massacres de judeus desde o Holocausto. Durante essas incursões, diversas comunidades e eventos nas proximidades da fronteira foram alvo, incluindo um festival de música que deixou 378 mortos.

Em resposta, Israel realizou uma operação militar de grande escala, devastando a Faixa de Gaza e gerando uma crise humanitária sem precedentes, com mais de 73 mil mortes, a maioria civis, conforme os dados do Ministério da Saúde de Gaza, que é controlado pelo Hamas e cujos números são aceitos pelas Nações Unidas.

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