domingo, agosto 23, 2026
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Técnica de médico capixaba previne amputações e conquista o mundo.

Um inovador protocolo criado pelo cirurgião vascular capixaba Eliud Duarte Junior tem se destacado internacionalmente ao evitar amputações em pacientes diabéticos. Este método foi apresentado em congressos nos Estados Unidos, Inglaterra e China, recebendo atenção global.

O tratamento integra técnicas de terapias regenerativas com o propósito de estimular a formação de novos vasos sanguíneos. Ele é direcionado a pacientes em estágio crítico, que já foram aconselhados a se submeter à amputação e que não responderam às abordagens tradicionais.

De acordo com Eliud, a estratégia consiste em empregar recursos que capacitam o organismo a reparar tecidos e a melhorar a circulação sanguínea na área afetada. Nos casos mais severos de pé diabético, a combinação de problemas pode ser alarmante. A perda de sensibilidade nos pés impede o paciente de reconhecer feridas, enquanto a circulação deficiente dificulta a recuperação dos tecidos. Essas condições se agravam em casos de infecções.

Uma técnica chave nesse protocolo é chamada osteodistração angiogênica, que promove a autocriação de vasos sanguíneos, aumentando o fluxo sanguíneo e a oxigenação ao membro afetado. "Esse estímulo faz com que o organismo perceba a necessidade de reparar aquela área, resultando na formação de novos vasos", afirma ele.

Além disso, o tratamento utiliza terapias regenerativas com materiais coletados do próprio paciente, como medula óssea, tecido adiposo e componentes do sangue, prevenindo a rejeição. Após a coleta e o processamento desses materiais, eles são aplicados na região comprometida, podendo ser ajustados conforme as exigências de cada paciente.

"A gente injeta o produto da medula óssea e também utiliza o tecido adiposo. Com isso, preparamos o ambiente para que ele favoreça a regeneração", explica Eliud. Segundo ele, os dados da equipe indicam que 72% dos membros dos pacientes, que já tinham a amputação indicada, foram salvos.

"Se eu consigo prorrogar a vida daquele membro por mais três anos, estou, de certa forma, aumentando a expectativa de vida do paciente. Afinal, sabemos que a amputação pode acelerar a morte dessa pessoa", observa o médico.

A importância da prevenção

Apesar dos avanços comprovados pelo protocolo, Eliud Duarte Junior enfatiza que a prevenção continua sendo fundamental para minimizar a perda de membros entre os diabéticos. Questões aparentemente simples, como unhas encravadas, sapatos apertados, rachaduras nos pés, micoses ou pequenos objetos dentro do calçado, podem levar a feridas que se tornam graves.

"Com a orientação e educação dos pacientes, especialmente na atenção primária, é possível evitar que muitos deles cheguem à amputação", ressalta o médico. Um dos fatores que contribui para esse cenário é a neuropatia diabética, que causa alterações nervosas e diminui a sensibilidade dos pés, permitindo que o paciente não perceba dor ou lesões.

"E quando se perde a sensibilidade ao tato, à dor e à temperatura, o paciente pode se machucar e nem perceber", explica Eliud. Por isso, ele recomenda que pessoas com diabetes examinem seus pés diariamente, evitem andar descalças, e fiquem atentas a qualquer alteração.

Critérios para o tratamento

Este protocolo é destinado a pacientes com quadros clínicos severos que já estão sob a indicação de amputação. Antes de serem incluídos no tratamento, é necessário que as alternativas tradicionais, como angioplastias e cirurgias para restauração da circulação, tenham sido esgotadas ou não sejam mais adequadas.

Antes da aplicação do protocolo, a equipe avalia a circulação, a extensão das feridas e a viabilidade de preservar o membro com funcionalidade. O foco é não apenas evitar amputações, mas também garantir a maior mobilidade possível ao paciente.

Detalhes do protocolo

O tratamento combina diferentes técnicas para recuperar tecidos danificados e estimular a criação de novos vasos sanguíneos. Entre as abordagens estão a osteodistração angiogênica, que envolve uma pequena abertura no osso da perna, e a movimentação de um fragmento ósseo por um dispositivo semelhante a um fixador ortopédico. Essa ação desencadeia um processo natural de reparação, melhorando a circulação na região comprometida.

Além disso, materiais de origem autóloga, como células da medula óssea e do tecido adiposo, são utilizados. Após a preparação, esses materiais são injetados ou enxertados na área afetada, contribuindo para o controle da inflamação e a estimulação da regeneração dos tecidos.

De acordo com dados monitorados, há uma taxa de 72% de sucesso na preservação de membros entre pacientes que já haviam recebido a indicação de amputação. O objetivo principal é evitar uma amputação maior e preservar, sempre que possível, um membro funcional.

Questões relacionadas ao pé diabético

Este protocolo é particularmente benéfico para pacientes que enfrentam complicações graves do diabetes, como o pé diabético, onde as alterações nos nervos e a má circulação dificultam a cicatrização e aumentam o risco de infecções. A neuropatia diabética pode, de fato, causar a perda de sensibilidade, resultando em ferimentos não percebidos pelo paciente.

Ao mesmo tempo, problemas circulatórios podem reduzir o suprimento de sangue e oxigênio aos tecidos, dificultando ainda mais a recuperação. Lesões que parecem inocentes, como rachaduras ou pequenas feridas, podem evoluir para problemas mais sérios.

Contexto das amputações no Brasil

No Brasil, ocorrem cerca de 31 mil amputações de membros inferiores anualmente, somente no Sistema Único de Saúde (SUS), o que equivale a aproximadamente 85 procedimentos diários, ou seja, uma amputação a cada 17 minutos.

Fonte: Eliud Duarte Junior e pesquisa realizada pela AT.

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