domingo, agosto 23, 2026
AdvertismentGoogle search engineGoogle search engine
InícioagronegócioSem ES, mulheres conquistam espaço no agronegócio e investem em seu crescimento.

Sem ES, mulheres conquistam espaço no agronegócio e investem em seu crescimento.

As mulheres estão conquistando cada vez mais espaço no agronegócio do Espírito Santo. De 2022 a 2025, o número de mulheres atuando no setor rural cresceu 9,64%, enquanto a participação masculina diminuiu em 1,97%, conforme os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), disponibilizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Histórias como a de Neteires Pereira das Neves Moreira, produtora rural de Vila Pavão, no Noroeste do estado, refletem essa transformação. Ao iniciar a produção de macarrão artesanal, Neteires compartilhava uma cozinha com outras três mulheres da comunidade. Atualmente, ela almeja que seus produtos estejam nas prateleiras dos supermercados capixabas. Neteires não se limita à produção de massas; também cultiva café, cria peixes e gerencia uma mini-hidroponia na sua propriedade, embora tenha enfrentado desafios significativos devido à falta de água.

Para solucionar os problemas de abastecimento, ela buscou um microcrédito de aproximadamente R$ 6 mil, o qual foi crucial para expandir sua produção. “Quando preciso enfrentar dificuldades ou crescer, procuro um novo financiamento. Ao conseguir esses recursos, faço investimentos concretos, adquirindo máquinas e ampliando a produção”, explica Neteires.

Pablo Lira, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), destaca que o crescimento feminino no agronegócio está atrelado ao empenho das mulheres na busca por qualificação e no gerenciamento das propriedades. “As mulheres hoje buscam mais formação e ferramentas de gestão para a agricultura e a pecuária. Elas têm conquistado um papel mais ativo no campo, buscando qualificações técnicas”, afirmou.

Esse movimento é reflexo de uma gestão mais estratégica nas pequenas propriedades, onde a sensibilidade feminina se destaca, segundo Lira. Cada vez mais, as mulheres estão ativas em diversas cadeias produtivas, não apenas como mão de obra, mas também à frente de seus próprios negócios, combinando produção com gestão e empreendedorismo.

Ao compartilhar suas conquistas, Neteires ressaltou que seus resultados tiveram um impacto positivo nas colegas da associação. “Elas se sentiram incentivadas ao ver meus resultados. Cada uma criou sua própria agroindústria, e trabalhamos juntas nos projetos. Quando uma cresce, todas acompanham; discutimos ideias e buscamos ajuda financeira em conjunto”, afirmou.

Em relação à união entre as produtoras, Neteires enfatiza: “Desde que formamos nossa associação, o foco é crescer. A experiência compartilhada fortalece a nossa busca por inovação e crescimento”.

Sobre suas expectativas para o futuro, Neteires incentiva outras mulheres a iniciarem seus próprios empreendimentos na agroindústria. “Inicie sua jornada. Eu comecei do zero, e hoje tenho minha estrutura e reconhecimento. Basta ter foco e estar disposta a aprender. O segredo é não ter medo de crescer e saber que, juntas, podemos alcançar mais”, orienta.

Ela conclui seus planos de ampliar ainda mais sua agroindústria com a ambição de colocar seus produtos em grande escala no mercado.

De forma similar, Fabiana Justino Silva, de 45 anos, se destaca por sua trajetória inspiradora. Após anos trabalhando como meeira, ela conquistou sua própria terra em Água Doce do Norte, onde cultiva café, cacau, pimenta e frutas. Inicialmente uma área degradada, a propriedade se transformou com a fundação da Associação Familiar dos Agricultores do Recanto Feliz.

A escritura da terra representa uma nova era de oportunidades para Fabiana e sua família. Para implementar a produção, os primeiros cinco mil pés de café foram plantados com a ajuda de microcrédito rural. Anos depois, novos financiamentos viabilizaram a expansão da lavoura, que atualmente conta com cerca de 14 mil pés de café, além de energia solar e uma estufa para secagem de cacau.

“O crédito sempre foi um grande aliado. Desde a plantação inicial, ele nos acompanhou no crescimento”, resume Fabiana, que também se consolidou como uma liderança feminina na região, oferecendo apoio a outros agricultores.

Por fim, dados da Relação Anual de Informações Sociais revelam um aumento significativo no trabalho feminino no agronegócio capixaba. Entre 2022 e 2025, enquanto a força de trabalho masculina do setor diminuiu, as mulheres registraram um crescimento expressivo.

O setor de Sementes e Mudas teve um crescimento notável, dobrando o número de mulheres de 103 para 204. A horticultura e a pecuária também mostram um aumento constante na participação feminina.

Com uma clara liderança e estabelecimento em setores varios, as mulheres do Espírito Santo não apenas ocupam espaço no agronegócio, mas também se tornam referências de gestão e empreendedorismo.

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais populares