O governo de Israel, sob a liderança do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, recebeu um alerta acerca da preparação de um ataque significativo por parte do Hamas, conforme informações reveladas pela revista americana The Atlantic. O aviso teria sido transmitido pelo chefe da inteligência do Egito, Abbas Kamel, a 11 dias do ataque de 7 de outubro.
Netanyahu, que está em campanha para as eleições legislativas marcadas para 27 de outubro, refutou a alegação de que seu governo tenha recebido notificações sobre o grupo terrorista ou sobre a situação em Gaza.
A reportagem destaca que Kamel fez uma visita secreta a Israel no dia 26 de setembro de 2023, em um período em que autoridades israelenses se reuniam em Jerusalém para comemorar os 50 anos da guerra do Yom Kippur. Durante a visita, um avião vinculado ao serviço de inteligência egípcio pousou no aeroporto Ben Gurion e ficou no local por aproximadamente 67 minutos antes de retornar ao Cairo. O trajeto foi confirmado por registros da Autoridade Aeroportuária de Israel e dados de rastreamento de voos independentes.
Ao ser questionada pela revista sobre a visita de Kamel, a comunicação de Netanyahu e a do presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, não se manifestaram. Informações obtidas pela Atlantic a partir de diversas fontes indicam que Kamel informou às autoridades israelenses que o Hamas estava se preparando para uma ação de grande escala. O egípcio teria sugerido concessões econômicas ao grupo para tentar impedir uma escalada do conflito.
De acordo com um ex-funcionário israelense, Kamel teria avisado que “se vocês não mudarem de rumo, Gaza vai explodir na cara de vocês”. No entanto, não foram fornecidos detalhes específicos, como data, alvo ou informações adicionais sobre o ataque, que veio a ocorrer 11 dias após a visita.
Ainda é incerto com quem Kamel se encontrou durante sua breve estadia em Israel. Adicionalmente, a reportagem da Atlantic complementa informações de uma investigação anterior que indicava que o xeque dos Emirados, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, teria conversado diretamente com Netanyahu cerca de dez dias antes do ataque, alertando sobre os planos do Hamas.
Segundo a apuração, os principais líderes dos serviços de segurança de Israel não foram informados sobre essa conversa. O gabinete do premiê classificou as alegações como “puras mentiras” e negou que Netanyahu tivesse discutido com o líder dos Emirados. O premier também afirmou que processaria o jornal que publicou a informação.
Após as notícias sobre o alerta de Kamel, um veículo de imprensa israelense indicou ter confirmado a informação, após conversar com uma fonte em Abu Dhabi sobre a conversa entre os líderes. Relatos da Associated Press informam que Netanyahu teria viajado secretamente aos Emirados no dia 27, buscando pedir ao xeque que desmentisse as informações sobre o aviso sobre a ameaça do Hamas. A viagem foi realizada em um avião particular e durou cerca de quatro horas.
Essas novas informações levantam questões sobre o grau de conhecimento dos serviços de segurança israelenses antes do ataque de 7 de outubro, bem como sobre quais dados chegaram aos mais altos escalões do governo e a forma como foram tratados.
O ataque do Hamas resultou na morte de cerca de 1.200 pessoas e no sequestro de 251 indivíduos em território israelense no dia 7 de outubro de 2023, os quais foram levados para Gaza. Em resposta, Israel intensificou sua ação militar, reduzindo consideravelmente a Faixa de Gaza a uma área em ruínas, provocando uma crise humanitária sem precedentes, com um saldo de 73.658 mortes, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, cuja contagem é reconhecida pela ONU.


