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Protetores organizam protesto na Pedra da Cebola contra a proibição da PMV que resultou em falta de água para os animais.

Protetor denuncia transferência de trabalhadores e interrupção de cuidados com animais

Leonardo Sá

A administração da Prefeitura de Vitória, sob a direção de Cris Samorini, decidiu proibir que funcionários terceirizados do Parque Pedra da Cebola forneçam alimentos e água para os animais do local. Segundo Fernando Furtado de Melo, um protetor de animais, essa restrição entrou em vigor em 17 de agosto e interrompeu atividades de cuidados que eram realizadas por jardineiros, vigilantes e voluntários ao longo dos anos. Em resposta a essa situação, grupos de proteção animal estão organizando um protesto para 12 de setembro, que, inicialmente agendado para o interior do parque, foi realocado para a área externa em frente à portaria na Avenida Fernando Ferrari.

A medida afeta aproximadamente 114 gatos comunitários, além de diversas aves e mamíferos como saruês, teiús e saguis que habitam a área de 100 mil metros quadrados. Com esta nova regra, Furtado afirma que tem assumido, sozinho, a responsabilidade de encher os recipientes de água e distribuir a ração. Ele menciona que chega ao parque todos os dias às 5h da manhã após sair de casa por volta das 4h20 para alimentar os animais, que estão visivelmente necessitados.

Assumindo essa tarefa, ele relata que, desde a mudança, houve um aumento na carga de trabalho para os voluntários que tentam auxiliá-lo. Apesar do apoio, ele enfatiza que a nova direção afetou a colaboração que existia entre a equipe do parque e os voluntários. Um dos colaboradores, que atuou por 26 anos na região, foi um dos funcionários transferidos. Este funcionário ajudava na construção de abrigos e na distribuição de comida deixada por Furtado.

De acordo com o voluntário, esse colaborador lavava os pontos de água utilizados pelos animais e, com seu próprio dinheiro, adquiria bananas para os saguis que o aguardavam diariamente. O dia 17 de agosto marcou a data em que ele e outros dois funcionários foram removidos do parque pela empresa terceirizada EMEC, alegando que a administração não desejava vínculos de amizade entre os funcionários e os voluntários. A rotina dos jardineiros também foi afetada, com instruções dadas para não alimentar os gatos.

Os vigilantes da empresa Visel também receberam orientações semelhantes, proibindo a alimentação dos animais, sob a justificativa de que isso configuraria desvio de função. Antes da restrição, Furtado indicava que alguns vigilantes ajudavam a alimentar os animais em locais específicos ao longo do parque.

A falta de assistência a esses animais ocorre em um cenário onde protetores têm, há mais de três anos, solicitado a instalação de câmeras de segurança no parque. Tais dispositivos são exigidos para ajudar na identificação de pessoas que abandonam animais na área, conforme a demanda também é apoiada por vereadores e o Ministério Público do Estado do Espírito Santo.

Tigelas vazias no Parque Pedra da Cebola após funcionários serem proibidos de alimentar os gatos.

Relatos fornecidos por Furtado à Assembleia Legislativa do Espírito Santo indicam que mais de 270 gatos foram abandonados no parque nos últimos cinco anos, o que agrava a situação, pois aumenta a necessidade de serviços como castração, vacinação e alimentação, que dependem majoritariamente de voluntários. Além disso, ele critica um recente comunicado da Prefeitura que sugeria a instalação de câmeras, afirmando que a comunicação deixou no ar a impressão de que os equipamentos já estavam em funcionamento, algo que ainda não ocorreu.

O caso foi apresentado à Comissão de Proteção e Bem-Estar Animal da Assembleia. A deputada Janete de Sá, que preside a comissão, ressaltou a importância da preservação do Parque Pedra da Cebola como um patrimônio cultural e turístico do Estado e a necessidade de cuidar da fauna do local.

Fernando Furtado também alertou para a deterioração dos abrigos que acolhem os animais e mencionou problemas estruturais no parque. Ele destacou que algumas dessas estruturas foram construídas com a autorização da administração e que o funcionário responsável por elas também foi transferido. O protetor criticou o fato de que, enquanto pequenas intervenções são feitas, questões estruturais sérias permanecem sem solução, incluindo um incidente em 2025, quando cães invadiram o parque e mataram 35 animais, resultando na reparação da cerca apenas um mês depois.

O encontro programado para o próximo final de semana busca reunir os protetores para discutir os problemas enfrentados no parque e coletar assinaturas para um documento a ser remetido ao Ministério Público. Entre as demandas estão a reativação da assistência aos animais, a efetiva instalação do videomonitoramento, além de medidas permanentes para prevenir novos abandonos e garantir melhores condições para a fauna. Os participantes planejam percorrer o parque após a reunião para avaliar os problemas.

Enquanto não surgem soluções, Furtado continua a visitar o parque diariamente para garantir alimentação e água aos animais que dependem dele. “É algo tão simples. Estou lutando por uma questão que é inacreditável”, concluiu.

Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura de Vitória não havia se pronunciado sobre a situação no Parque Pedra da Cebola.

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