Em um cenário ensolarado, a orla de Vitória e Vila Velha tem se transformado com a presença crescente de bicicletas elétricas, que estão se tornando uma opção popular para quem deseja alcançar o litoral. A Praia da Costa, em Vila Velha, é um dos locais mais notáveis, onde um impressionante número de bikes pode ser visto improvisadamente estacionado nas calçadas.
Essa nova realidade no transporte está ganhando a aceitação dos frequentadores, muitos dos quais admitiram ter deixado seus carros em casa em favor da bicicleta elétrica. Na capital, a Ilha do Boi também notou um influxo dessas bicicletas, enquanto o calçadão em Vila Velha se destacou pela aglomeração de usuários.
Josimar Amaral, especialista em Trânsito, observa o aumento no uso das bikes elétricas e destaca a necessidade de ajustes no espaço urbano para acompanhar essa demanda crescente. Ele ressalta que é fundamental garantir segurança e facilitar a guarda desses veículos, evitando obstruções nas calçadas.
André Cerqueira, especialista em Segurança e Trânsito, contribui com a ideia de que não é necessário replicar os grandes estacionamentos para carros, sugerindo a criação de pequenos bolsões para estacionamento de bikes ao longo da orla, perto dos acessos à praia. Esses espaços poderiam ser equipados com suportes resistentes, boa iluminação e monitoramento em áreas de grande movimento.
Anthony Moraes Costa, consultor em Segurança Viária, lembra que, embora não existam regulamentos específicos para o estacionamento de bicicletas e veículos autopropelidos, a legislação brasileira as considera veículos. Assim, devem seguir as normas gerais de estacionamento, evitando obstruir a passagem de pedestres. Contudo, o cotidiano muitas vezes apresenta desafios, com condutas de ciclistas que vão contra as regras de segurança viária.
As autoridades têm a responsabilidade de estabelecer normas relacionadas ao estacionamento e supervisionar o comportamento dos ciclistas. Para lidar com esse novo meio de transporte, é necessário implementar ações que envolvam educação, fiscalização e, quando necessário, punições adequadas.
Acesso prático e sem complicações
O dia de sol foi aproveitado por Júlia Bravin Ferrari, 27 anos, arquiteta, e Igor Emílio Fonseca Oliveira, 29. O casal, residente em Vitória, usou uma bicicleta elétrica para ir à Ilha do Boi e à Guarderia. Júlia enxerga a mobilidade elétrica como um avanço, mas solicita mais ciclovias conectadas e um aumento na fiscalização. Igor, por sua vez, conta que amigos que foram de carro enfrentaram problemas para encontrar estacionamento, destacando que a bicicleta é uma solução que facilita o acesso e previne transtornos.
Metade do tempo do ônibus
Gabriel de Oliveira Turra, 23 anos, mecânico de bicicletas elétricas, e Yasmin Machado Furtado, 20 anos, assistente administrativa, perceberam que o trajeto até a praia se tornou mais célere. Residentes de Cariacica, eles dividem que levam cerca de 30 minutos para chegar de bicicleta, o que equivale a metade do tempo de ônibus.
Ainda que possua um rastreador em sua bicicleta elétrica, Gabriel prefere mantê-la sempre próxima para evitar furtos. O casal defende a criação de estacionamentos dedicados para bikes, equipados com câmeras e segurança, a fim de aprimorar a proteção dos veículos em uso.
