Um homem conectado a autoridades da Arábia Saudita e central em um processo judicial de US$ 1 trilhão movido por familiares das vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001, Omar al-Bayoumi, teve revelações sobre sua ligação com extremistas que surgiram a partir de vídeos obtidos. Os registros de sua participação em atividades como paintball, ao lado de Anwar al-Awlaki, um futuro líder da Al Qaeda, contradizem suas negações de envolvimento com atividades extremistas.
Os vídeos, que estavam nas mãos do FBI logo após os atentados, apresentam Bayoumi abraçando al-Awlaki e participando de jogos de paintball com um funcionário do Ministério dos Assuntos Islâmicos da Arábia Saudita. Esses registros nunca foram previamente divulgados e fazem parte da ação judicial que alega a cumplicidade do governo saudita nos ataques, além de ressaltar que Bayoumi prestou ajuda a dois dos sequestradores envolvidos nos atentados.
Após os ataques, Bayoumi foi detido no Reino Unido, onde documentos cruciais, incluindo um diagrama de avião com cálculos de descida de voo, foram encontrados. Embora muitos agentes do FBI tenham recebido cópias desse material, ele nunca foi compartilhado com investigadores britânicos que interrogavam Bayoumi, nem com a Comissão do 11 de Setembro. Essa comissão tinha o intuito de examinar o maior ataque terrorista da história americana, que resultou na morte de quase 3.000 pessoas, mas não conseguiu processar Bayoumi.
Bayoumi e o governo saudita sempre negaram qualquer envolvimento nos ataques. Em 2018, um juiz permitiu que o processo avançasse, resultando na apresentação de novos documentos, fotografias e vídeos ao tribunal após um decreto do ex-presidente Joe Biden. A investigação revelou que o diagrama do avião foi considerado, mas não houve propostas formais para processar Bayoumi a partir dessa evidência, apesar de declarações de que outras pessoas foram condenadas com menos.
Bayoumi, que chegou à Califórnia em 1994 afirmando estudar inglês, se destacou por sua organização de eventos religiosos. Um vídeo que remonta a 1997 o mostra com al-Awlaki e outros em simulações de combate, gritando “Allahu Akbar”. Após os ataques de 11 de setembro, agentes do FBI descobriram que alguns participantes usavam os jogos de paintball como treinamento para a jihad.
O FBI inicialmente viu Bayoumi como um potencial suspeito. Informações registradas indicavam que seu nome estava associado a um contrato de aluguel dos dois primeiros sequestradores a chegar aos Estados Unidos, Nawaf al-Hazmi e Khalid al-Mihdhar. Após sua detenção em Londres, uma vasta coleção de evidências foi catalogada, mas a análise desse material demorou. Agentes da Polícia Metropolitana de Londres relataram que não receberam informações sobre o diagrama do avião em suas tentativas de interrogar Bayoumi.
Quando liberado, Bayoumi continuou a ser examinado, mas a análise de evidências demorou a se concretizar. A página com a equação matemática e o desenho do avião só foi enviada ao tribunal após uma ordem judicial, onde um advogado afirmou que se tratava de prova decisiva. Contudo, não ficou claro como essa evidência de grande relevância não levou a acusação formal contra ele, pois muitos consideravam que já haviam condenado pessoas por evidências menos contundentes.
Agentes do FBI que tentaram aprofundar a investigação enfrentaram diversas dificuldades, incluindo impedimentos para entrevistar diplomatas sauditas potencialmente vinculados a Bayoumi. Embora a Comissão do 11 de Setembro tenha entrevistado Bayoumi na Arábia Saudita em 2003, ele não foi considerado culpado.
O relatório final da comissão sugeriu que não existiam evidências suficientes para vinculá-lo a atividades extremistas, mas vozes dissidentes questionaram a avaliação, sugerindo que ele poderia ter conhecimento sobre a conexão com a Al Qaeda. Bayoumi, que voltou à Arábia Saudita após sua liberação, negou qualquer envolvimento nos ataques. O governo saudita também rejeitou as acusações de cumplicidade com os atentados.


