quinta-feira, outubro 8, 2026
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Morte de idosa despejada provoca protestos no início da campanha eleitoral na Espanha

A morte de Maricarmen Abascal, uma idosa de 87 anos e figura emblemática na luta pelo direito à moradia na Espanha, reacendeu os protestos por mudanças nas leis habitacionais. Ela foi despejada de sua casa, onde morou por 70 anos, e faleceu no hospital na tarde de quarta-feira (7), sem conseguir retornar para seu lar. A autorização para que Maricarmen voltasse para casa foi dada pela proprietária do imóvel após a grande repercussão de sua situação.

Cerca de 20 mil pessoas participaram de uma marcha na quinta-feira (8) em frente ao prédio onde ela vivia. O evento começou na Puerta del Sol, um ponto central de Madri e símbolo dos protestos habitacionais que agitam o país. Desde o despejo de Maricarmen, a Puerta del Sol abriga um acampamento com o intuito de pressionar as autoridades pela aprovação de reformas na legislação de habitação.

O acampamento, que conta com mais de 1.300 tendas, está repleto de expressões de indignação pelas condições de moradia na Espanha. De 2015 a 2025, o preços de imóveis subiram 80%, enquanto os aluguéis aumentaram em 87%. Um manifestante, Flor Díaz, bombeiro florestal das Ilhas Canárias, expressou sua dor pela morte de Maricarmen e afirmou que o acampamento é uma forma de protesto e homenagem à idosa.

Díaz também criticou a ineficácia do governo diante da crise habitacional. A morte de Maricarmen teve grande repercussão política em um momento já conturbado, especialmente após o anúncio do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, de que o Parlamento seria dissolvido e novas eleições convocadas para 29 de novembro. Essa decisão se deu em resposta à rejeição, pelos deputados, de dois decretos sobre habitação propostos pelo governo.

Os decretos, que foram alterados para garantir a continuidade de sua análise, incluem a suspensão de despejos até 2030 para pessoas em situação vulnerável e a renovação automática de contratos de aluguel. Contudo, a aprovação dos decretos ainda enfrenta desafios.

Na próxima fase dessa mobilização, uma greve geral por moradia foi convocada para o dia 11 de novembro, coincidentemente durante o período eleitoral. Enquanto a esquerda busca integrar a questão habitacional em sua agenda, a direita, representada pelo Partido Popular, tem se mostrado menos engajada, inclusive bloqueando homenagens à idosa.

O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, evitou mencionar Maricarmen e alertou seus membros sobre as “manipulações” da esquerda. Por outro lado, o partido de extrema-direita Vox fez críticas a Sánchez, alegando que a morte de Maricarmen foi usada para desviar a responsabilidade do governo pela crise habitacional.

Enquanto a situação política evolui, uma mensagem de Maricarmen, divulgada em um vídeo nas redes sociais do Sindicato de Inquilinos, ressoou entre os manifestantes: “Coragem. Lutem, defendam o que é de vocês.”

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