Os Correios divulgaram nesta segunda-feira (1º) um déficit líquido de R$ 3,158 bilhões no primeiro trimestre de 2026, conforme apresentado em seu balanço financeiro. Esse valor representa um aumento de 83,02% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando o prejuízo foi de R$ 1,725 bilhão.
O crescimento das despesas gerais e administrativas, junto com as despesas financeiras, contribuiu significativamente para o resultado negativo registrado entre janeiro e março. A estatal indicou que os gastos totalizaram R$ 2,26 bilhões em categorias como folha de pagamento e contratação de serviços jurídicos. Um ponto crítico foi o aumento nas contingências, já que os Correios enfrentam processos judiciais trabalhistas, cíveis e fiscais. No primeiro trimestre de 2025, as despesas gerais e administrativas alcançaram R$ 1,22 bilhão.
Em termos de despesas financeiras, houve um salto de R$ 282,9 milhões para R$ 985 milhões no mesmo intervalo. Essa variação foi impulsionada, especialmente, pelos encargos relacionados ao financiamento da dívida interna, como juros e IOF. Adicionalmente, foram reconhecidos juros e multas referentes a tributos sobre importações nos anos de 2025 e 2026.
Para garantir sua liquidez a curto prazo, os Correios haviam anunciado em novembro a possibilidade de um financiamento de até R$ 20 bilhões. O Tesouro Nacional aprovou um empréstimo menor, de até R$ 12 bilhões, para a empresa. Uma capitalização complementar de até R$ 8 bilhões ainda está em negociação.
Recentemente, o Tribunal de Contas da União (TCU) informou ao governo federal sobre uma potencial violação de dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) devido à falta de uma verificação “própria e independente” das premissas financeiras que sustentam o plano de reestruturação dos Correios. O tribunal também ressaltou a inadequação da análise relacionada à capacidade de pagamento da estatal para conceder garantias da União e operar um crédito de R$ 12 bilhões.
Além disso, o TCU alertou que a falta de uma avaliação externa sobre as premissas de receitas, despesas e fluxos de caixa que sustentam os planos de equilíbrio econômico-financeiro das estatais resulta em uma ampliação do risco para a União.


