Aos 18 anos, Flaiza Madeira Bargline enfrenta pela segunda vez o neuroblastoma, uma forma de câncer que se origina nas células do sistema nervoso. Seu primeiro tratamento começou em 2014, quando tinha apenas seis anos, e em 2016, a família se mudou para São Paulo, onde, em 2017, Flaiza passou por um transplante de medula óssea.
Após um longo período de quase oito anos em remissão, a doença reapareceu em 2025, de maneira mais agressiva. Neste momento, a família busca na Justiça a liberação de um medicamento de alto custo essencial para o tratamento.
Flaiza reside na Serra com sua mãe, Joseli Bargline Diniz, que ressaltou a gravidade da situação, uma vez que a doença afetou sua coluna, fêmur, quadril e medula óssea, além de apresentar níveis baixos de plaquetas. Joseli também destacou a dificuldade financeira, afirmando que o tratamento está avaliado em R$ 2 milhões e que, devido à necessidade de acompanhar a filha, não consegue trabalhar.
Em um vídeo, Flaiza compartilha a luta da família para conseguir a medicação necessária, afirmando: “Eu preciso desse remédio para viver.”
O neuroblastoma é um câncer que surge a partir de células jovens do sistema nervoso, sendo mais comum em crianças menores de cinco anos. A doença pode ocorrer em diferentes partes do corpo, mas as glândulas adrenais são frequentemente afetadas. O medicamento que a família busca é o dinutuximabe beta, uma imunoterapia que auxilia o sistema imunológico a identificar e combater as células cancerígenas, conforme explicado por especialistas.
Essa abordagem terapêutica representa um avanço significativo para pacientes com neuroblastoma de alto risco, especialmente em situações onde a doença retorna ou não responde a tratamentos convencionais. O dinutuximabe beta foi integrado ao Sistema Único de Saúde em fevereiro de 2025, mas o acesso ao medicamento ainda enfrenta desafios administrativos que podem dificultar a entrega ao hospital.
É importante frisar que, embora a imunoterapia possa não garantir cura, ela pode aumentar as chances de sobrevida para pacientes com a enfermidade avançada. A família de Flaiza está buscando judicialmente o fornecimento da medicação em associação ao tratamento atual, expressando preocupação com a necessidade de interromper a quimioterapia, que não está apresentando os resultados desejados.
De acordo com a mãe da jovem, a demora no acesso ao medicamento pode comprometer as oportunidades de tratamento eficaz e de sobrevida. A Secretaria de Estado da Saúde informou que a responsabilidade pelo fornecimento do medicamento é do Ministério da Saúde e que a situação está sendo acompanhada.
Atualmente, o caso aguarda um novo parecer técnico, após a família recorrer à Justiça em busca do fornecimento urgente da medicação. A advogada que representa a família afirmou que, devido ao agravamento da condição de Flaiza, novos exames foram apresentados para reforçar a necessidade de urgência no processo.
Os próximos passos incluem a reavaliação do caso pelo Núcleo de Assessoramento Técnico, enquanto a família mantém a esperança de que um pedido liminar seja aceito para garantir o acesso imediato à medicação crucial para o tratamento de Flaiza.

