domingo, novembro 1, 2026
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Inovações Científicas para 1,6 Milhão de Pessoas com Doenças Crônicas

Mais da metade da população brasileira vive com alguma condição crônica, mas isso não implica que o tratamento deva ser uniforme ao longo da vida. Para aproximadamente 1,6 milhão de residentes do Espírito Santo que lidam com essas doenças, a ciência está trazendo novas oportunidades, como medicamentos que protegem órgãos, terapias que controlam circunstâncias antes difíceis de manejar e investigações que visam tratamentos cada vez mais individualizados.

No que diz respeito à hipertensão arterial, uma das condições crônicas mais comuns, os pesquisadores estão explorando até mesmo a possibilidade de uma injeção para controle. O estudo KARDIA-2, previsto para 2025, revelou que uma única injeção de 600 mg de zilebesiran, administrada sob a pele, conseguiu reduzir a pressão em pacientes que não estavam respondendo adequadamente a tratamentos orais.

Embora o zilebesiran ainda esteja em fase de pesquisa, um estudo ampliado está em andamento para verificar se essa nova abordagem também resulta na diminuição de complicações cardiovasculares. Para o controle do colesterol elevado, já se utiliza no Brasil a inclisirana, uma medicação que atua por meio da tecnologia de RNA interferente, reduzindo a produção da proteína PCSK9 e facilitando a remoção do LDL pelo fígado. Esse tratamento requer apenas duas aplicações anuais na fase de manutenção.

No que tange à obesidade, uma das opções mais esperadas é a retratutida, uma medicação em desenvolvimento que atua como agonista triplo (GLP-1, GIP e glucagon). Segundo especialistas, ensaios clínicos mostram que cerca de 50% dos usuários obtiveram perda de mais de 30% do peso com esta intervenção. Para os casos de depressão resistente, além dos antidepressivos tradicionais, a escetamina em spray nasal, registrada na Anvisa desde 2020, vem se destacando como uma alternativa, sendo administrada sob supervisão em ambientes clínicos.

Entretanto, nenhuma dessas inovações exclui a importância da psicoterapia e da melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

A medicina de precisão está revolucionando os métodos de tratamento de doenças, utilizando exames genéticos e biomarcadores para apontar quais terapias podem ser mais eficazes para cada indivíduo. Essa abordagem já avança na oncologia e promete expandir as opções de cuidados para quem vive com doenças crônicas.

Estamos diante de uma nova era da medicina, conforme destacado por especialistas, em que o foco não é apenas o controle das doenças crônicas, mas também a compreensão de suas causas moleculares, a antecipação de complicações e a criação de tratamentos personalizados que sejam eficazes e de longa duração. Os novos desenvolvimentos em terapias de RNA, anticorpos monoclonais de longa duração e alguns métodos de terapia gênica estão ampliando as possibilidades de cuidados, permitindo que intervenções sejam realizadas com intervalos maiores entre as doses.

No futuro, é plausível que medicamentos possam ser administrados semestralmente, anualmente ou até com um único tratamento, dependendo da condição e da tecnologia aplicada. Essa alteração significaria um grande avanço para indivíduos que atualmente precisam ingerir vários comprimidos diariamente. Contudo, é necessário ressaltar que a frequência do tratamento dependerá dos mecanismos subjacentes da doença e da segurança de cada tecnologia.

É importante frisar que as doenças crônicas não são determinadas apenas pelos hábitos de vida. Muitas delas apresentam fatores genéticos, metabólicos, imunológicos e hormonais que podem continuar a existir, mesmo em indivíduos que mantêm uma dieta saudável, exercitam-se regularmente e têm um peso corporal adequado. Pesquisas sinalizam que a “imunidade treinada”, a memória das células de defesa, pode manter a inflamação ativa, contribuindo para a persistência dessas condições.

A ciência avança em pesquisas que visam modificar a resposta imune e combater doenças crônicas. Estudos em imunossenescência – processo que altera as células de defesa com o envelhecimento – sugerem que algumas dessas células podem perder parte de sua capacidade de reação, aumentando a vulnerabilidade a infecções e contribuindo para doenças crônicas. Além disso, medicamentos experimentais capazes de eliminar células senescentes, que continuam no organismo mas não se dividem, estão apresentando resultados promissores em estudos iniciais.

As doenças crônicas não transmissíveis configuram um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil e no mundo, apresentando impactos que incluem morte precoce, queda na qualidade de vida e custos elevados para os sistemas de saúde. As causas estão entrelaçadas com fatores de risco comportamentais, metabólicos, condições genéticas e determinantes sociais.

Em 2019, aproximadamente 52% da população brasileira com 18 anos ou mais relatou ser diagnosticada com pelo menos uma condição crônica, segundo dados do IBGE. No Espírito Santo, considerando esse percentual, o número de pessoas afetadas chega a 1,6 milhão.

As condições crônicas mais comuns incluem a hipertensão arterial (23,9%), problemas crônicos de coluna (21,6%), colesterol alto (14,6%), depressão (10,2%), diabetes (7,7%), doenças cardiovasculares (5,3%), asma (5,3%), câncer (2,6%) e insuficiência renal (1,5%).

No tratamento do diabetes tipo 2, os inibidores de SGLT2, como a dapagliflozina e a empagliflozina, têm se mostrado eficazes não apenas na eliminação da glicose pela urina, mas também na redução de complicações cardiovasculares e no retardamento da perda da função renal. Os agonistas de GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, também são apontados como avanços no tratamento, promovendo perda de peso significativa.

Para a obesidade, novas medicações, como a semaglutida e a tirzepatida, atuam nos mecanismos de fome e saciedade, resultando em perda de peso expressiva. Outras opções em desenvolvimento prometem tratar a obesidade de forma mais eficaz, mas o acompanhamento médico ainda é imprescindível.

A hipertensão vê inovações, com a substância zilebesiran demonstrando eficácia em uma única aplicação subcutânea para controle da pressão em pacientes com dificuldades. Novos tratamentos, como baxdrostat, também foram desenvolvidos para auxiliar no controle da aldosterona, além da desnervação renal, que atua diminuindo a atividade nervosa em torno das artérias renais.

Já para o colesterol alto, a inclisirana, um medicamento que age limitando a produção da proteína PCSK9, possibilita a remoção de LDL do organismo com apenas duas aplicações anuais. Outras opções, como ácido bempedoico, foram recomendadas para pacientes intolerantes a estatinas.

Medicamentos voltados para diabetes, obesidade, colesterol e hipertensão têm um impacto positivo na prevenção de complicações cardiovasculares. Por exemplo, a semaglutida demonstrou reduzir em 20% o risco de eventos cardiovasculares em pacientes com sobrepeso ou obesidade e doenças cardiovasculares prévias, enquanto inibidores de SGLT2 reduziram hospitalizações por insuficiência cardíaca.

O tratamento da depressão evoluiu significativamente, com a escetamina em spray nasal oferecendo uma nova alternativa para pacientes resistentes ao tratamento, em associação com métodos tradicionais. A estimulação magnética transcraniana também surge como uma técnica não invasiva promissora.

Na oncologia, os avanços em tratamentos personalizados e imunoterapias ampliam as opções para combater o câncer, com a identificação de alterações genéticas contribuindo para a escolha de terapias. Por outro lado, a asma têm novos tratamentos, como o depemoquimabe, que exigem poucas aplicações anuais.

O tratamento para problemas crônicos na coluna é cada vez mais integrado, combinando reabilitação, educação e procedimentos guiados por imagem, enquanto o tratamento da doença renal crônica tem avançado com medicamentos que retardam a perda de função renal e reduzem complicações.

As promessas futuras incluem tecnologias inovadoras e personalizadas que poderão oferecer alternativas mais eficazes e com menos efeitos colaterais, buscando sempre o cuidado contínuo e a qualidade de vida dos pacientes.

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