Laydiane Lacerda da Silva, de 33 anos e grávida de 18 semanas, foi encontrada morta na sua residência em Cristal do Norte, município de Pedro Canário, no Norte do Espírito Santo. O seu marido, Rafael Alves, de 29 anos, foi detido e autuado em flagrante por feminicídio, conforme a Lei Maria da Penha. Esse caso se torna o 30º feminicídio registrado no Estado neste ano.
De acordo com informações da Polícia Militar, o corpo de Laydiane foi encontrado no quarto, apresentando perfurações na região do pescoço. Durante a investigação, os policiais descobriram vestígios de sangue no banheiro, uma calça com manchas de sangue e um canivete preso a ela.
Rafael declarou aos policiais que havia saído para trabalhar pela manhã e, ao retornar para casa, encontrou a esposa já sem vida. Após a autuação, foi encaminhado ao sistema prisional.
A irmã de Laydiane informou que ela apresentava baixa visão, sequelas motoras e alguma deficiência intelectual devido a uma lesão cerebral ocasionada pela toxoplasmose durante a gestação de sua mãe. Laydiane era a segunda mais velha de quatro irmãs e, de acordo com familiares, era bastante conhecida na região.
A gravidez era desejada, conforme relatou a irmã; Laydiane havia sofrido um aborto há cerca de dois anos e estava sob acompanhamento médico para engravidar novamente, esperando um menino que receberia o nome de Santiago.
O casal, que estava junto há aproximadamente cinco anos, nunca havia dado indícios de violência, segundo os familiares, que expressam dúvida sobre a culpabilidade de Rafael. Na noite anterior ao ocorrido, Laydiane e Rafael haviam participado de um evento familiar, parecendo estar em harmonia. A irmã mencionou que Rafael entrou em contato com familiares após encontrar Laydiane e, na delegacia, reiterou que a encontrou já morta, com o corpo frio.
Familiares aguardam os resultados das perícias. A irmã mencionou que materiais das unhas e das partes íntimas de Laydiane foram coletados para análise, assim como o celular da vítima, que foi entregue à polícia.
Relatos de familiares indicam que Rafael pode ter se sujado de sangue ao tocar no corpo da esposa, e o canivete encontrado na residência era uma ferramenta que ele usava para trabalhar na roça. O pai e duas irmãs de Laydiane já prestaram depoimento.
A família levanta a hipótese de que alguém possa ter invadido a residência, que estava aberta no momento, mas essa versão ainda não foi confirmada pelas autoridades. Testemunhos de vizinhos afirmam não ter ouvido ou visto nada relacionado ao crime.
A Polícia Civil confirmou que Rafael foi levado à Delegacia Regional de São Mateus, onde foi autuado em flagrante por feminicídio de acordo com a Lei Maria da Penha, e posteriormente foi encaminhado ao presídio.
