Um simples detalhe em fotografias tiradas com flash pode indicar a presença do tumor ocular mais comum na infância: o retinoblastoma. Esse fenômeno, conhecido como leucocoria ou o “olho branco”, se manifesta como um reflexo esbranquiçado na pupila, substituindo o habitual brilho avermelhado. Essa alteração acende um alerta para a possibilidade da doença, que afeta principalmente crianças até os 5 anos. Quando identificado precocemente, as chances de cura superam 90%, com altas taxas de preservação tanto da visão quanto do globo ocular.
O primeiro exame de triagem acontece na maternidade, por meio do Teste do Reflexo Vermelho, em que o pediatra utiliza um oftalmoscópio para projetar um feixe de luz nos olhos do recém-nascido. O ideal é que a luz reflita um tom avermelhado, uniforme e simétrico em ambos os olhos. Se o reflexo for branco, opaco, amarelado ou assimétrico, isso indica que a criança deve ser encaminhada urgentemente a um oftalmopediatra ou a um retinólogo para uma avaliação mais detalhada. É importante notar que este exame é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é obrigatório em todo o país. Contudo, devido à natureza progressiva da doença, o teste deve ser repetido em consultas de rotina durante o primeiro ano de vida.
Além da leucocoria, pais e responsáveis devem observar outros sintomas que podem indicar a doença. O estrabismo, que se caracteriza pelo desvio de um ou ambos os olhos, presença em aproximadamente 20% dos casos, a vermelhidão ou inchaço que persistem sem uma causa infecciosa evidente, e a baixa visão, que se manifesta na dificuldade que a criança tem de acompanhar objetos com o olhar, são pontos a serem observados.
O diagnóstico é confirmado através de exames complementares, como mapeamento de retina, ultrassonografia ocular e ressonância magnética. Nos últimos anos, a medicina ocular avançou, reduzindo a necessidade de intervenções invasivas e oferecendo tratamentos altamente direcionados. Um dos métodos é a Quimioterapia Intra-arterial, que administra o medicamento quimioterápico diretamente na artéria oftálmica, minimizando os efeitos colaterais sistêmicos. Além disso, técnicas locais, como a aplicação de calor (laser) ou frio (crioterapia) nas pequenas lesões, têm se mostrado eficazes. O diagnóstico na fase inicial é essencial, pois permite evitar a enucleação, ou remoção cirúrgica do olho, preservando assim a capacidade visual do paciente.


