domingo, setembro 20, 2026
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Famílias no Nepal realizam funerais sem os corpos presentes

Famílias no Nepal realizaram cerimônias fúnebres simbólicas nesta quarta-feira (2), com o intuito de “libertar” as almas de parentes desaparecidos na avalanche que atingiu a região do Himalaia, na fronteira com a China, há uma semana.

No dia 26 de agosto, uma imensa onda formada por água gelada, rochas e detritos, decorrente do colapso parcial de uma geleira, resultou em um desastre que deixou mais de 1.100 mortos nos dois países e cerca de 4.500 pessoas desaparecidas, conforme as autoridades.

Após vários dias de busca em abrigos e necrotérios, familiares de indivíduos que não foram encontrados começaram a perder a esperança e a realizar os últimos rituais, queimando efígies de palha em cerimônias hindus. Dolma Newar Tamang, durante o funeral do marido, que estava a caminho da China no momento da tragédia, expressou: “Precisamos fazer isso para libertar a alma dele, para que fique em paz e feliz onde quer que esteja.”

Ainda que a impotência seja evidente, as equipes de resgate nepalesas permanecem otimistas na possibilidade de encontrar sobreviventes, especialmente nos túneis das usinas hidrelétricas da área. Até agora, os socorristas recuperaram apenas corpos dos túneis cobertos pela lama, mas as ações continuam com escavações, perfurações e remoção de escombros na esperança de localizar possíveis sobreviventes.

O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, mencionou que ainda guarda esperanças de que alguns dos desaparecidos possam estar vivos, afirmando: “Milagres acontecem. No momento, não quero perder completamente a esperança.”

A indignação aumenta em virtude da extensão da destruição no país, que possui uma população predominantemente rural de 30 milhões de habitantes. Embora a nação contribua minimamente para as emissões de gases que desencadeiam o aquecimento global, é uma das mais afetadas por suas consequências.

O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, destacou que a catástrofe é um “sinal sério” de que os riscos enfrentados na região do Himalaia aumentam proporcionalmente às mudanças climáticas. Especialistas afirmam que a maior cordilheira do mundo está aquecendo rapidamente, o que acelera o derretimento das geleiras.

As massas de gelo no Himalaia e no Hindu Kush são vitais para a água que abastece milhões de habitantes nas áreas montanhosas e nos vales fluviais do sul e sudeste da Ásia. Shah ressaltou em suas redes sociais que “as mudanças climáticas são um problema global e a resposta a desastres também deve ser uma responsabilidade compartilhada.”

O Nepal, que recentemente completou um ano de protestos em massa contra a corrupção e uma grave crise econômica que levaram à queda do governo anterior, enfrenta limitações severas para lidar com um desastre dessa magnitude.

Com os necrotérios abarrotados, as autoridades têm sido forçadas a enterrar centenas de corpos não identificados após realização de exames de DNA. Até o momento, 1.114 corpos foram recuperados, enquanto 3.916 pessoas permanecem desaparecidas. Na China, o relatório estatal registra 16 mortos e 546 desaparecidos, totalizando 1.130 vítimas fatais e 4.462 desaparecidos.

Entre as pessoas desaparecidas, mais de 800 estrangeiros de mais de 30 países, incluindo 583 no Nepal e 261 na China, estão entre os que sumiram. Isso inclui turistas que estavam no Himalaia para trilhas e peregrinos hindus em busca de paz espiritual no monte sagrado Kailash, no Tibete.

Além disso, pelo menos 17 corpos foram encontrados em rios na Índia, que as autoridades suspeitam serem vítimas da avalanche. Jornalistas estrangeiros na China enfrentam dificuldades na cobertura do que ocorreu no Tibete, onde as autoridades mantêm um controle rigoroso sobre as informações da região. Grupos em defesa do Tibete no exílio questionaram a versão oficial do governo chinês sobre o desastre, que, por sua vez, reafirma que a disseminação das informações tem sido aberta e transparente.

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