O estudo apresentado no Encontro Nacional de Direito Médico, realizado na terça-feira (15), revela que o número de seguidores nas redes sociais pode afetar a percepção dos pacientes em relação à especialização de médicos. De acordo com a pesquisa, 57% dos participantes associam uma maior quantidade de seguidores à ideia de que o profissional é realmente especializado.
Investigando o cenário nos Estados Unidos, a pesquisa destaca que a presença digital dos médicos impacta diversas etapas da relação entre eles e seus pacientes. Para 41% dos entrevistados, a atividade nas redes sociais aumenta a intenção de consultar determinados profissionais, enquanto 87% consideram as imagens de “antes e depois” relevantes na avaliação de médicos da área estética.
O advogado de Direito Médico, Tiago Retes, apresentou os dados e abordou as responsabilidades dos médicos que atuam como influenciadores. Ele chamou a atenção para o fato de que a popularidade nas redes sociais não é sinônimo de formação médica, embora a quantidade de seguidores possa, para alguns pacientes, servir como um indicador de credibilidade.
Adicionalmente, a pesquisa identificou que profissionais com um número maior de seguidores tendem a aparecer nas primeiras páginas de pesquisas no Google, o que sublinha a importância da visibilidade digital na escolha de um médico. Segundo Retes, uma audiência grande pode potencializar as repercussões de uma conduta inadequada nas redes sociais.
Retes explicou que o médico influenciador pode enfrentar diferentes formas de responsabilização, que abrangem questões éticas, de proteção ao consumidor, de proteção de dados e de responsabilidades civis. Um exemplo citado foi de um médico condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a indenizar uma paciente em R$ 30 mil por divulgar vídeos de uma cirurgia sem consentimento adequado.
A pesquisa também demonstrou a influência das imagens na percepção dos profissionais de saúde, com 87% dos entrevistados considerando as fotos de “antes e depois” como fatores importantes. Essa discussão se insere dentro do contexto da publicidade médica, especialmente em áreas estéticas, onde os resultados visuais têm grande impacto nas redes sociais.
A advogada Thatyane Jardim destacou o desafio de se comunicar informações técnicas de forma compreensível, sem criar falsas expectativas. Ela observou que a divulgação de tratamentos requer um cuidado especial com informações que não têm comprovação científica.
Outra questão abordada no painel foi o impacto da telemedicina e da inteligência artificial na prática médica. Eduardo Amorim, presidente da Comissão Especial de Direito Médico, afirmou que a telemedicina altera a forma de atendimento, mas a responsabilidade médica permanece. Já a inteligência artificial levanta novas questões sobre a autoria das decisões médicas.
Amorim enfatizou a importância de manter as obrigações relacionadas à vigilância, informação e registros de atendimento, mesmo com o uso de tecnologias. Entre as práticas recomendadas estão a documentação do meio de consulta, a realização de atendimentos presenciais quando necessário e a revisão dos termos de consentimento dos pacientes.


