Um estudo demonstrou que apenas 1,83% dos alertas de desastres enviados por SMS no Brasil entre 2018 e 2023 continham todas as informações necessárias para uma comunicação eficaz. A pesquisa, intitulada “Mensagens de alerta de desastres: desafios e oportunidades”, foi realizada pelos pesquisadores Murilo Noli da Fonseca e Luciene Pimentel da Silva, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), e analisou um total de 73.701 mensagens emitidas pelos órgãos de proteção e defesa civil do país.
Os resultados indicam uma carência de elementos essenciais para uma comunicação eficiente nos alertas emitidos. Segundo Luciene, é crucial que, ao receber uma mensagem, o cidadão consiga identificar se está em risco, compreender a situação, saber a localização do evento, entender as ações necessárias e por quanto tempo deve permanecer em alerta.
As mensagens de SMS, com limite de até 160 caracteres, foram cadastradas no sistema da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) durante o período estudado. Os pesquisadores analisaram as comunicações com base em critérios como fonte, tipo de perigo, localização, instruções e duração, de acordo com os padrões do sistema de Classificação e Codificação de Desastres (Cobrade).
Um dado alarmante é que apenas 7,7% das mensagens apontavam os danos potenciais associados aos perigos. Além disso, apenas 5,9% das mensagens especificaram a localidade e apenas 9% mencionaram o horário de término do risco. A identificação da categoria da mensagem — se era um aviso, comunicação, alerta ou advertência — estava ausente em 76,2% dos casos. A palavra “alerta” foi utilizada em somente 19% das mensagens, enquanto “aviso” e “atenção” apareceram em 2,2% e 1,8%, respectivamente.
Os pesquisadores acreditam que a falta desses elementos compromete a eficácia na comunicação em situação de desastre. Luciene enfatiza que clareza e especificidade nas mensagens aumentam a capacidade de compreensão e auxiliar na tomada de decisão.
Outro ponto destacado no estudo é a limitação imposta pelo limite de 160 caracteres, que dificulta a inclusão de informações mais detalhadas nos alertas. Para aumentar a eficiência na comunicação, sugere-se a utilização de múltiplos canais, como Cell Broadcast, aplicativos de mensagens e sistemas locais, algo que está sendo implementado mais recentemente no Brasil.
Murilo Fonseca lembra que não existe um único canal que possa dar conta de todas as situações. Um sistema multicanal deve levar em consideração fatores como os diferentes níveis de alfabetização da população, a acessibilidade à informação, a presença de idosos e pessoas com deficiência, além das características do território e a dinâmica dos eventos.
Analisando os dados, a pesquisa revelou que 73,6% das mensagens tinham como objetivo alertar sobre chuvas intensas. Em seguida, a comunicação sobre baixa umidade do ar representou 8,5% dos alertas, enquanto as mensagens sobre granizo corresponderam a 4,2%. Os meses de maior incidência de disparo de mensagens foram janeiro, com 15,9%, e dezembro, com 13,4%, concentrando 75% dos alertas nos períodos da primavera e verão, que vão de setembro a março no Hemisfério Sul.
Em termos de distribuição regional, 75,2% das mensagens foram enviadas para o Sudeste, enquanto a Região Sul foi responsável por 18,6%, o Centro-Oeste por 3,7%, o Nordeste por 1,5% e o Norte por 0,98%.
