O que fundamenta a excelência de instituições como o Hospital Israelita Albert Einstein? Quais são os caminhos para converter indicadores e investimentos em uma cultura de qualidade efetivamente sentida pelos pacientes?
Essas questões serão abordadas por Milainy Barbosa Ribeiro Batista, representante do Hospital Israelita Albert Einstein, durante a palestra de encerramento da 7ª edição do Rede Saúde Summit, agendada para o dia 5 de novembro, em Vitória.
Em uma entrevista prévia à palestra, Milainy compartilha suas reflexões sobre os desafios da excelência na assistência, a importância da cultura organizacional e o impacto da experiência do paciente na promoção da qualidade.
### Qualidade no Centro das Decisões
Colocar a qualidade como prioridade na estratégia de uma organização de saúde implica entender que é uma responsabilidade de todos, não restrita a um único setor. Esse princípio deve guiar todas as decisões, englobando desde a assistência até a gestão financeira e a experiência do paciente.
Embora os indicadores sejam essenciais, eles refletem apenas parte da realidade. É possível que uma instituição atinja suas metas e, ao mesmo tempo, tenha fragilidades na jornada do paciente ou na comunicação entre as equipes. Assim, a qualidade deve ser vista como um aspecto de governança que orienta investimentos e define prioridades.
### Percepção da Qualidade e Experiência do Paciente
A percepção que os pacientes têm da qualidade pode diferir da qualidade técnica oferecida. Pacientes podem não conseguir avaliar indicadores assistenciais, mas sentem quando são ouvidos, recebem informações adequadas e encontram coordenação no atendimento.
Portanto, a experiência do paciente vai além da satisfação; ela deve ser usada para direcionar treinamentos e melhorias nos processos. O Hospital Albert Einstein adota uma abordagem centrada na pessoa, buscando transformar o feedback dos pacientes em melhorias concretas.
### Processo, Tecnologia e Cultura Organizacional
Embora processos bem estruturados e tecnologias sejam essenciais, eles não bastam para garantir assistência segura. É fundamental cultivar uma cultura que promova comunicação, transparência e aprendizado, além da responsabilidade compartilhada.
As lideranças desempenham um papel crucial, já que a cultura se forma mais pelos comportamentos que são praticados do que pelos valores formalmente definidos. Uma liderança dedicada à qualidade precisa estar próxima das equipes, compreendendo desafios operacionais e ouvindo os pacientes.
Práticas como reuniões de segurança, visitas das lideranças e discussões sobre eventos adversos ajudam a conectar a gestão à realidade assistencial e tornam a segurança uma responsabilidade coletiva.
### Tecnologia e Humanização
A tecnologia deve ser utilizada como uma ferramenta que amplifica a capacidade humana de cuidado, e não como um substituto para a interação entre profissionais e pacientes. A introdução de inteligência artificial e automação pode facilitar a identificação de riscos e apoiar decisões clínicas.
Um exemplo é o Centro de Monitoramento Operacional e Assistencial do Einstein, que utiliza dados para detectar situações que necessitam de atenção. Embora a tecnologia ajude a antecipar riscos, as decisões e a responsabilidade pelo cuidado devem sempre permanecer com os humanos.
### Sustentabilidade Financeira e Qualidade
A qualidade e a eficiência não devem ser vistas como metas opostas. Falhas na qualidade podem acarretar altos custos, como reinternações e infecções. Assim, o foco deve ser na eliminação de desperdícios que não acrescentam valor ao cuidado, promovendo uma saúde baseada em resultados que são importantes para os pacientes.
### Lições do Einstein para a Saúde Capixaba
Com base na experiência do Hospital Israelita Albert Einstein, práticas e aprendizados podem auxiliar hospitais e clínicas do Espírito Santo a progredirem na qualidade, independentemente de suas dimensões ou recursos. A qualidade deve ser integrada como um sistema de gestão e uma verdadeira cultura na instituição.
Iniciativas que priorizam a segurança, a presença de lideranças nas áreas assistenciais e a escuta ativa dos pacientes podem ser adaptadas a diferentes contextos. Além disso, é essencial não tratar a acreditação como um fim em si mesma; a verdadeira maturidade se revela na continuidade das práticas de qualidade, mesmo sem auditorias.
As instituições de saúde do Espírito Santo devem comprometer-se a desenvolver lideranças dedicadas à segurança, criar ambientes de aprendizado constante e incorporar a perspectiva do paciente nas decisões.
O foco deve estar em construir consistência nas práticas essenciais, em vez de buscar as ferramentas mais sofisticadas.
### Qualidade que se Converte em Valor
Milainy resume que a excelência na saúde está diretamente ligada à forma como as instituições incorporam a qualidade em suas operações.
“Os indicadores mostram o que entregamos. A cultura explica como entregamos. A experiência do paciente revela o verdadeiro valor do nosso trabalho”, afirma.
### Rede Saúde Summit: Qualidade como Estratégia
O debate sobre qualidade ganha importância frente à expansão dos serviços de saúde, novas tecnologias e expectativas crescentes dos pacientes. A meta é não apenas demonstrar resultados, mas também garantir que a qualidade se transforme em uma experiência consistente e valorizada por quem utiliza os serviços de saúde.
Nesse contexto, o tema do 7º Rede Saúde Summit será “Qualidade como Estratégia: Para além dos indicadores”. O evento reunirá representantes do Hospital Albert Einstein, além de especialistas em gestão, inovação, hospitalidade e experiência na saúde.
### Encontro de Lideranças da Saúde no Espírito Santo
Organizado pela Rede Vitória de Comunicação, o Rede Saúde Summit se consolidou como um importante espaço de debate e conexão na área da saúde no Espírito Santo. A 7ª edição ocorrerá no dia 5 de novembro, das 8h às 11h, no Hotel Golden Tulip, em Vitória, reunindo empresários, gestores e líderes do setor.
A presença do Hospital Israelita Albert Einstein reforça a proposta de aproximar a saúde capixaba de referências nacionais e promover discussões que inspirem práticas de excelência nas organizações.

