sexta-feira, outubro 9, 2026
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Douglas Ruas deve ser declarado governador eleito do RJ, apesar da investigação em curso.

O atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), pode ser declarado governador eleito enquanto enfrenta uma investigação. Desde julho, a Procuradoria-Geral da Justiça está apurando possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa.

A investigação se baseia em transações financeiras significativas realizadas por Ruas e sua empresa nos últimos três anos, conforme revelado por reportagens em abril. Além disso, foi conduzida uma auditoria pelo governo do estado na Secretaria de Cidades, que era liderada por Ruas durante a gestão de Cláudio Castro (PL).

Em resposta a contatos da imprensa, a assessoria de Ruas não se manifestou. Após um debate na TV, o deputado expressou confiança na investigação, afirmando que acredita que será arquivada.

Em suas declarações, Ruas disse que o Ministério Público deve verificar a veracidade das informações recebidas. Ele mencionou que uma acusação anterior já foi arquivada por ser falsa e assegurou que está disponível para explicar os fatos, acreditando que as alegações em curso seguirão o mesmo caminho.

Recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu anular os votos do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) na eleição para o governo do Rio de Janeiro. Essa decisão facilita a confirmação da vitória de Ruas no primeiro turno, com 50,88% dos votos válidos.

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), que poderia ter disputado um segundo turno contra Ruas se os votos fossem validados, teve seu recurso ao Supremo Tribunal Federal negado e reconheceu a derrota.

A apuração envolvendo Ruas teve início após uma denúncia anônima que foi encaminhada ao Ministério Público e posteriormente ao Tribunal de Justiça. O inquérito segue sob sigilo, e se mantiver até a posse de Ruas, poderá ser transferido para a Procuradoria-Geral da República.

Conforme relatado, Ruas, sua esposa, Mariana Barbosa, e as empresas do casal realizaram diversas aquisições imobiliárias e de precatórios nos últimos três anos, avaliadas em mais de R$ 16 milhões.

Essas transações tiveram início em janeiro de 2023, quando Ruas foi eleito com a segunda maior votação do estado, e se intensificaram após setembro desse ano, quando assumiu a Secretaria de Cidades.

Ruas afirmou que sua empresa possui uma atuação consolidada no mercado de logística e, a partir de 2023, começou a operar no setor imobiliário e na aquisição de ativos financeiros, como precatórios. Ele também mencionou que sua esposa atua no comércio há dez anos.

Além disso, um detalhe que chamou atenção foi que a empresa de Ruas recebeu R$ 1,58 milhão da pedreira pertencente à família do deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), padrinho político de Ruas, contratada por uma empresa que realizava obras na Secretaria de Cidades.

O deputado alegou que não há intersecção entre suas atividades pessoais e sua função política, ressaltando que os serviços prestados por sua empresa não se correlacionam com obras públicas.

Ruas enfatizou sua capacidade de separar a vida pública da privada, manifestando tranquilidade em esclarecer todos os fatos e na disposição para colaborar com as autoridades de controle.

Outra questão em análise se relaciona a uma auditoria feita pelo governo interino do desembargador Ricardo Couto sobre contratos na Secretaria de Cidades, que Ruas comandou até março deste ano. Durante a auditoria, foi identificado um aditivo de 45% em um contrato apenas 17 dias após seu início. Um dos fornecedores desse serviço é a mineradora da família de Altineu.

O deputado declarou que a secretaria não interfere na escolha dos fornecedores por parte das empresas contratadas e que a nova legislação de licitações não estipula um limite de 25% para aditivos, conforme foi observado na auditoria.

Por sua vez, Altineu afirmou que a mineradora Santa Edwiges é uma firma privada que não participou de licitações com o governo estadual e atende apenas clientes privados, além de praticar preços inferiores aos tabelados pelo governo.

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