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Como o Comitê Paralímpico Transformou o Brasil em uma Potência Mundial

A herança deixada pelos Jogos Olímpicos do Rio-2016 é marcada por problemas de abandono, mas a situação é distinta em relação à infraestrutura do esporte paralímpico no Brasil. O Centro de Treinamento Paralímpico, localizado em São Paulo, é considerado referência internacional e evidencia a evolução do país como uma potência nas competições paralímpicas.

No dia 7 de setembro, celebrou-se o décimo aniversário da abertura da Paralimpíada de 2016, onde o Brasil obteve um total de 72 medalhas – divididas em 14 ouros, 29 pratas e 29 bronzes – representando a maior conquista do país em termos de pódios nessas competições até então.

Aquele evento foi um marco inicial para o que se tornaria um sucesso consolidado nos esportes paralímpicos, sustentado pela compreensão de que investimentos em infraestrutura geram resultados ao longo do tempo.

Uma parte significativa do investimento público foi direcionada à construção do Centro de Treinamento Paralímpico, um megaempreendimento em São Paulo, projetado para preparar os atletas para a Rio-2016. O vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Yohansson Nascimento, ressaltou que a estrutura é comparada a uma “grande fábrica de medalhas”. Nascimento, que se aposentou das pistas em 2021, conquistou seis medalhas durante sua carreira e agora atua como dirigente.

O dirigente destacou que muitas crianças têm a oportunidade de descobrir o centro, ingressando em programas esportivos paralímpicos desde a infância e evoluindo até chegar às seleções principais. Um exemplo notável é o da nadadora Alessandra Oliveira, que começou a frequentar o CT como forma de lazer e, posteriormente, se destacou como campeã mundial e recordista nos 100 metros peito.

Inaugurado em maio de 2016, apenas quatro meses antes do início da Paralimpíada, o CT se tornou o quarto maior centro de treinamento paralímpico do planeta, oferecendo espaço amplo e instalações de qualidade para os atletas. As atividades no centro incluem treinamentos, competições, hospedagem, alimentação e recuperação física, tudo integrado em um único local, que possui 300 leitos.

Com uma área construída de 95 mil metros quadrados, o complexo abriga instalações para 20 modalidades paralímpicas, incluindo atletismo, basquete em cadeira de rodas, natação e vôlei sentado, entre outras. A infraestrutura é considerada a maior da América Latina, recebendo mais de 2 mil visitantes mensais e servindo de base para as seleções brasileiras paralímpicas.

O Comitê Paralímpico Brasileiro, que venceu a licitação para gestão do centro em 2017, recebeu um investimento de R$ 114 milhões do Governo do Estado e R$ 149 milhões do Governo Federal para a construção da instalação.

Nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles, que ocorrerão em dois anos, o objetivo do CPB é alcançar a marca de 500 medalhas. O Brasil, que atualmente possui 461 medalhas, apresentou um desempenho notável, conquistando mais de 70 medalhas em cada uma das últimas três edições. Yohansson Nascimento expressou o desejo de buscar uma quantidade ainda maior de medalhas em 2024, projetando a ambição de 100 medalhas para os Jogos de Paris.

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