segunda-feira, setembro 21, 2026
AdvertismentGoogle search engineGoogle search engine
InícioEconomiaComo Integrar a Academia e as Empresas no Espírito Santo

Como Integrar a Academia e as Empresas no Espírito Santo

O desafio de integrar a academia com o setor empresarial é um tema amplamente conhecido e reconhecido, sendo considerado um gargalo no Plano Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Espírito Santo (PCTI-ES). Esse plano, divulgado em março de 2026 pela Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti), busca consolidar a ciência, a tecnologia e a inovação como motores de transformação econômica, social e ambiental.

Com essa missão, o plano estabelece eixos estratégicos que visam enfrentar a lacuna entre a ciência e a inovação, um problema evidenciado pela baixa participação de mestres e doutores em projetos de inovação, especialmente no setor privado e em áreas que não estão nos grandes centros urbanos.

Históricos estudos já indicavam a dificuldade encontrada pela academia em aplicar seus conhecimentos nas empresas, o que amplia o distanciamento entre a pesquisa acadêmica e a prática de inovação, conhecida como “estado da arte”. Esse termo denota as tecnologias mais avançadas e as soluções criativas disponíveis tanto na academia quanto no mercado global.

É importante ressaltar que a falta de recursos não é o principal obstáculo para essa conexão. Existem linhas de financiamento tanto federais quanto estaduais, como programas da Fapes e editais da Finep e da Embrapii, disponíveis para apoiar projetos que visem essa interação.

O PCTI-ES aponta para uma utilização subótima desses recursos e estabelece metas para aumentar a participação do Espírito Santo em linhas de financiamento federais, como exemplificado nas Metas 3 e 4, que visam dobrar a participação do estado nas operações reembolsáveis do BNDES e da Finep entre 2030 e 2035.

Uma das iniciativas do plano busca fomentar a criação de projetos colaborativos e redes de pesquisa e inovação, promovendo a articulação entre instituições de ciência e tecnologia e empresas. O sexto eixo do plano enfatiza a Transformação digital, empreendedorismo e inovação.

Neste contexto, o objetivo é incentivar a adoção de tecnologias emergentes, inovação aberta e a digitalização em setores estratégicos do Espírito Santo, que incluem indústrias, agronegócio, saúde, tecnologia da informação e comunicação (TIC) e turismo.

Entretanto, as empresas precisam estar adequadamente estruturadas para receber esses financiamentos, e esse é um dos principais desafios enfrentados. Na maioria das empresas do Espírito Santo, não existem estruturas destinadas a estabelecer comunicação efetiva com a academia ou com o setor público. Esse tipo de departamento é frequentemente encontrado apenas nas grandes corporações, nas áreas de inovação ou centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Para as empresas de médio porte, manter uma estrutura assim pode ser financeiramente inviável ou a demanda não é suficientemente constante para justificar o investimento.

É nesse cenário que surgem estruturas de apoio compartilhadas, como hubs de inovação e serviços de consultoria terceirizados, que se tornam cruciais. Estas iniciativas não só proporcionam conexões, mas também mitigam os custos de transação entre diferentes universos que utilizam linguagens e dinâmicas distintas.

Esse conceito é abordado na literatura de inovação como a tríplice hélice, que envolve a colaboração entre empresas, academia e governo, mediada por quem possui conhecimento sobre os três lados. Essas estruturas não promovem ineficiência; na verdade, elas se configuram como um elemento essencial que conecta o planejamento público com a execução no setor privado.

RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais populares