terça-feira, outubro 27, 2026
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Como identificar se um imóvel é sustentável: fatores a considerar na compra.

O Espírito Santo, segundo dados do Mapbiomas, abrange 77.510 hectares de áreas urbanas. Simultaneamente, a Empresa de Pesquisa Energética revela que as edificações são responsáveis por 50% do consumo de energia em todo o Brasil.

Diante de um mercado imobiliário em expansão, a sustentabilidade começa a desempenhar um papel crucial, tanto no planejamento de novos projetos quanto nas escolhas dos consumidores. Incorporar práticas sustentáveis desde a fase de concepção pode resultar em economia ao longo da vida útil do imóvel, aprimoramento do conforto térmico, além de facilitar a infiltração da água no solo e criar ambientes urbanos mais agradáveis.

O conceito de imóveis sustentáveis está em ascensão, com potencial para valorizar propriedades em até 30%. Essa valorização, segundo especialistas, depende fortemente de decisões tomadas ainda na fase de projeto. Aspectos como a seleção de materiais de vedação e cobertura, a localização da construção no terreno, e o design da iluminação e ventilação têm impacto direto no funcionamento da edificação após a conclusão.

A arquiteta Liliam Araújo enfatiza que, para atingir a eficiência energética, é fundamental estabelecer metas desde o início do desenvolvimento do projeto. Uma das diretrizes é a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE), que classifica o desempenho energético das edificações. Segundo Araújo, “para garantir a etiqueta Procel nível A, é necessário implementar estratégias adequadas desde o início. Se essas decisões forem deixadas para depois, fica difícil alcançar o padrão desejado, pois a escolha de vedação, cobertura e a disposição da casa no terreno impactam diretamente no resultado final”.

Uma abordagem planejada pode ainda evitar custos adicionais para adaptações posteriores, uma vez que mudanças durante a construção ou após a finalização aumentam a complexidade e os gastos. Importante destacar que a economia gerada por um imóvel sustentável nem sempre se reflete no preço inicial de construção. Muitas vezes, investimentos em sistemas eficientes podem implicar custos mais altos inicialmente, mas que são compensados ao longo do tempo com redução no consumo de energia.

A arquiteta menciona um projeto em que um sistema de climatização VRF foi instalado, otimizando o funcionamento de acordo com as necessidades do ambiente. O estudo realizado indicou que o investimento adicional teria um retorno financeiro em 27 meses.

Além disso, a disposição do edifício em relação ao terreno, a conservação de áreas verdes e a permeabilidade do solo são fatores que afetam não apenas a construção, mas também o entorno. Quando a água da chuva infiltra no solo, por exemplo, isso contribui para a recarga dos lençóis freáticos. A presença de vegetação, por sua vez, ajuda a diminuir a temperatura, proporciona sombra e favorece a fauna local. Em zonas urbanas, esses elementos podem mitigar o efeito das ilhas de calor.

A sustentabilidade não se limita apenas aos materiais e equipamentos. Também se relaciona a aspectos como a disponibilidade de transportes públicos e a acessibilidade a ciclovias, que incentivam estilos de vida mais sustentáveis.

O conceito de biofilia, que promove a integração da natureza aos projetos arquitetônicos, está se tornando uma tendência no mercado. Segundo a arquiteta Karol Simonassi, essa conexão deve ser considerada desde o início do projeto, não se restringindo a um elemento decorativo adicionado após a conclusão da obra. Simonassi ressalta que um projeto arquitetônico deve harmonizar com a vegetação e o paisagismo, proporcionando experiências agradáveis e tranquilas para os moradores.

Da mesma forma, a empresa Vaz integra a sustentabilidade em seu planejamento, buscando transformar espaços por meio de projetos inovadores e conscientes. O presidente da desenvolvedora destaca que suas iniciativas vão além da construção, abrangendo ações de preservação ambiental e fortalecimento do relacionamento com as comunidades locais.

A atuação da Vaz inclui a Ecovaz, seu braço voltado para projetos socioambientais, que promove a recuperação de áreas verdes e a educação ambiental. O cuidado inicial com as características locais é primordial para a empresa, que visa respeitar tanto o meio ambiente quanto as necessidades da população já residente na área.

Ademais, a valorização das áreas verdes em empreendimentos tem ganhado destaque. Antes, alguns compradores mostravam aversão a terrenos próximos a zonas verdes, temor que agora tem diminuído. A tendência é de que áreas naturais não só acrescentem valor aos imóveis, mas também proporcionem uma qualidade de vida superior, com ambientes mais frescos e tranquilos.

Por fim, a sustentabilidade requer uma visão de longo prazo. Liliam Araújo destaca que uma construção pode durar várias décadas e que decisões tomadas no seu planejamento influenciam no consumo de água e energia durante sua utilização. Assim, a avaliação de um imóvel sustentável deve incluir tanto o investimento inicial quanto os custos operacionais e o conforto dos moradores, além do impacto ambiental. Em suma, a integração de práticas sustentáveis está reformulando a maneira como se projetam, constroem e selecionam imóveis, visando promover um uso responsável dos recursos e uma relação harmoniosa com o meio ambiente.

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