sábado, novembro 7, 2026
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Centrão, Esquerda e Bolsonarismo Disputam o Controle do Congresso

Edilson Rodrigues – Pedro Gontijo – Carlos Moura – Ag. Senado

Hugo Motta conta com respaldo de 70% da nova Câmara, enquanto a disputa no Senado revela divisões na direita

As eleições para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, agendadas para 1º de fevereiro de 2027, começaram a delinear o panorama político que terá impacto significativo no próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Embora sejam votações internas, restritas aos parlamentares, suas repercussões influenciarão diretamente a governabilidade, a agenda voltada para os direitos sociais e as relações entre os Poderes.

Na Câmara, o atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), vem mostrando uma articulação sólida, contando com o apoio explícito de 15 partidos que elegeram 361 dos 513 deputados, o que representa 70,4% do total da Casa. Essa aliança abrange desde a esquerda até partidos do centro e o chamado Centrão, formando uma composição que excede os 257 votos necessários para vencer no primeiro turno.

Entretanto, tal apoio não garante a adesão automática dos parlamentares. A votação secreta implica que os acordos partidários podem não assegurar a fidelidade individual, especialmente diante dos interesses em jogo relacionados à distribuição de cargos na Mesa Diretora e o comando das comissões permanentes.

A decisão da federação PT-PCdoB-PV de apoiar a reeleição de Motta, oficializada em 27 de outubro, foi uma das movidas mais notáveis dentro dessa articulação. Com 88 deputados, a federação justificou sua escolha pela necessidade de criar condições políticas para o novo governo de Lula e evitar que o PL conseguisse o controle da Câmara.

Essa escolha, porém, não está isenta de contradições. A ligação com partidos do Centrão oferece à esquerda novas possibilidades de negociação, mas também levanta o desafio de assegurar que a busca pela governabilidade não signifique ceder constantemente a interesses conservadores.

O real desafio será transformar os acordos políticos em avanços concretos para a população, especialmente em questões trabalhistas, redução das desigualdades, defesa dos serviços públicos e ampliação de direitos.

PL pode apresentar candidatura própria

Um dos pontos mais incertos na Câmara é o PL, que conta com a maior bancada, composta por 121 deputados. O partido ainda avalia se dará suporte a Motta ou se apresentará uma candidatura própria, uma decisão que também depende do espaço que terá na Mesa Diretora e nas comissões.

As diferenças refletem o afastamento entre o presidente da Câmara e os seguidores de Bolsonaro. Motta manifestou apoio a Lula na eleição presidencial, enquanto o PL se alinhou à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Entre os nomes sugeridos para competir com Motta estão Adriana Ventura, Luiz Lima e Jeffrey Chiquini, pelo Novo, que já anunciou sua candidatura. No PL, as alternativas incluem Altineu Côrtes e Luiz Philippe de Orleans e Bragança, além da possível candidatura avulsa de Zé Trovão.

Oito partidos na bancada capixaba apoiam Motta

A bancada capixaba, que tomará posse em fevereiro de 2027, está fragmentada entre sete partidos, mas mostra uma tendência de apoio que reflete a articulação no nível nacional. Os dois deputados do PT, Jack Rocha e João Coser, fazem parte do grupo que apoia Hugo Motta. Essa mesma orientação se estende a Manu, do PSB, Gilson Daniel, do Podemos, Da Vitória, do PP, Dr. Bruno Resende e Marcelo Santos, do União Brasil, e Coronel Ramalho, do Republicanos.

Do outro lado, Lucas Polese e Lucas, o Federal da Direita, do PL, partido que ainda debate se terá sua própria candidatura ou apoiará Motta. Assim, oito dos dez deputados capixabas pertencem a siglas alinhadas à articulação favorável a Motta, embora isso não garanta votos individuais.

A posição dos parlamentares capixabas se tornará crucial na negociação de representações do Estado na Câmara. A participação em comissões fundamentais, especialmente relacionadas à infraestrutura, orçamento, saúde, educação e desenvolvimento regional, terá impacto na capacidade do Estado de influenciar decisões em âmbito nacional.

No Senado, a situação se apresenta de maneira distinta. A reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) enfrenta a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), oficialmente lançada pelo PL em 4 de novembro, e a movimentação da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também deseja concorrer à presidência da Casa.

Alcolumbre recebe apoio do PT, MDB e PSD, além do respaldo formal da federação União Progressista, composta por União Brasil e PP. O PSB também anunciou que deve formalizar apoio à reeleição do presidente atual do Senado.

Teoricamente, esse grupo mantiene 33 das 81 cadeiras do Senado. Marinho, com 29 senadores do PL e os três eleitos pelo Novo, precisará aumentar sua base para atingir os 41 votos necessários para sua vitória.

O senador do Rio Grande do Norte representa a tentativa do PL e do grupo bolsonarista de assumir o comando do Senado. Entre as pautas defendidas por ele estão a votação da anistia a condenados pelos eventos de 8 de janeiro e a abertura de processos contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Esse cenário transforma a disputa em algo mais que a escolha de um presidente. O controle do Senado garante a capacidade sobre a pauta de votações e um papel determinante na tramitação de pedidos de impeachment de ministros do STF.

Representação do Espírito Santo no Senado

A representação do Espírito Santo no Senado terá uma configuração específica. Com Renato Casagrande (PSB) e Evair de Melo (Republicanos) eleitos para mandatos de oito anos, o Estado também continuará com Magno Malta (PL), cujo mandato vai até 2031.

Casagrande deverá alinhar-se à articulação a favor de Alcolumbre, seguindo a orientação que o PSB anunciou em nível nacional. A direção do partido explicou, após reunião com o atual presidente, que formalizará apoio à reeleição. Assim, o senador eleito capixaba estará inserido nesse movimento.

Por outro lado, Evair de Melo foi eleito pelo Republicanos, que não anunciou uma posição coletiva em apoio a Alcolumbre. Até o momento, o senador eleito ainda não manifestou individualmente sua preferência na disputa pelo Senado, e essa decisão será influenciada pelas relações estabelecidas no campo conservador.

Magno Malta, continuando no Senado como membro do PL, a legenda que lançou Marinho, posiciona-se, assim, na ala que sustenta a candidatura de oposição a Alcolumbre.

Esse cenário revela uma divisão entre os representantes capixabas. Casagrande está alinhado com a postura nacional do PSB em favor de Alcolumbre, enquanto Magno Malta, do PL, apoia Marinho; Evair permanece em uma posição ainda indefinida.

Tereza Cristina traz polarização à direita

A candidatura de Tereza Cristina também adiciona um novo elemento à disputa. Ex-ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, ela procura apoio entre legisladores do agronegócio, setores do Centrão e da bancada feminina, tentando se posicionar como uma alternativa a Alcolumbre e ao candidato do PL.

A senadora reivindica ainda a possibilidade de ser a primeira mulher a presidir o Senado. Apesar de pertencer ao PP, que já manifestou apoio a Alcolumbre, ela mantém sua candidatura, defendendo o direito de cada parlamentar a votar livremente.

Tereza Cristina e Marinho conversaram sobre uma possível candidatura única contra Alcolumbre, mas um consenso definitivo ainda não foi alcançado. As negociações devem evoluir até fevereiro.

A diferença entre as duas disputas evidencia estratégias diversas. Na Câmara, a esquerda busca uma aliança ampla, incluindo o Centrão, para evitar que o PL controle a Casa e promover a agenda do governo. No Senado, por sua vez, o governo pretende manter um diálogo construtivo com Alcolumbre, enquanto a oposição busca garantir espaço para discutir anistia e impeachment de ministros do STF. Se Marinho vencer, isso pode alterar a configuração política do Senado e abrir novas oportunidades para a disputa institucional.

As presidências das duas Casas têm a capacidade de definir o ritmo de tramitação de projetos, organizar a agenda legislativa e conduzir negociações que impactam diretamente a vida da população. Questões como o término da jornada 6×1, proteção de direitos trabalhistas, políticas sociais e a distribuição de recursos públicos dependerão, em parte, da postura política dos que ocupam esses cargos.

Para o Espírito Santo, a eleição adiciona uma dimensão extra: a habilidade de seus representantes atuarem de forma coordenada em Brasília, apesar das diferenças partidárias. O que se avizinha é mais do que a disputa por cargos: fevereiro testará a posição dos deputados capixabas em relação às principais agendas políticas e sociais do país.

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