Os shoppings evoluíram para além de simples espaços de compra. Conforme dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), 44% dos visitantes frequentam esses centros comerciais com o intuito de realizar compras. Os itens mais buscados são calçados (61%), roupas (50%), artigos para o lar (31%) e eletrônicos (31%).
Além das compras, a busca por lazer é a segunda atividade mais citada, sendo mencionada por 30% dos consumidores. Essa mudança demonstra que os frequentadores agora utilizam os shoppings como ambientes multifuncionais, onde podem convivência, acessar serviços, desfrutar de alimentação e lazer, além de realizar compras.
O relatório da Abrasce indica que a maioria dos consumidores utiliza os serviços disponíveis durante a visita, e muitos se deslocam até esses locais com objetivos que vão além do ato de comprar. Essa nova dinâmica é evidenciada pelo exemplo de André Spalenza, coordenador da Fecomércio ES, que destaca que os shoppings se tornaram centros de convivência. Os clientes podem almoçar, se exercitar e realizar compras em um único lugar, refletindo a transformação no comportamento do consumidor e a crescente concorrência das opções de compra online.
Spalenza ressalta que o diferencial dos espaços físicos reside na experiência oferecida, que se torna essencial para atrair visitantes. Hoje, não se busca apenas a aquisição de produtos, mas sim um conjunto de experiências que englobam diferentes atividades.
Fatores práticos como segurança e localização também influenciam na escolha dos consumidores. Estudos indicam que a facilidade de acesso e o ambiente seguro são elementos que contribuem para maior permanência das pessoas nos shoppings.
Francys Dutra, vendedor no Shopping Vitória há mais de dez anos, observa que o centro comercial acaba por facilitar o dia a dia, permitindo resolver diversas questões em um único local. Ele enfatiza a importância dos vínculos que se formam entre clientes e vendedores, quase como uma relação de vizinhança.
A administração do Shopping Vitória está atenta a essas mudanças, buscando expandir os serviços oferecidos a fim de atender às novas necessidades dos consumidores. O diretor-geral, Raphael Brotto, destaca que a ampliação dos serviços é baseada em pesquisas que visam entender o comportamento atual do público, criando um novo ecossistema onde os frequentadores podem ter acesso a uma variedade de opções, como serviços de limpeza de veículos, atendimento médico e facilidades para a compra de viagens. O shopping também se destaca por ter uma sala de autorregulação sensorial, destinada a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias.
Brotto aponta que a competição não se limita a outros shoppings, mas abrange qualquer ambiente que consiga proporcionar uma experiência agradável e prática para os consumidores. A estratégia consiste em fazer do shopping um lugar onde as pessoas possam trabalhar, estudar, socializar e resolver tarefas do cotidiano, refletindo uma nova era na relação entre consumidores e esses empreendimentos.
Em resumo, os shoppings estão transformando-se em espaços que vão além da mera compra, integrando alimentação, entretenimento e serviços para atender às diversas demandas dos consumidores. Essa mudança responde às necessidades de praticidade, segurança e comodidade, desafiando os empreendimentos a reavaliar continuamente sua estrutura e ofertas.


