A proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6×1 está programada para passar por mais duas sessões de discussão no Senado antes da votação em primeiro turno. Esses encontros estão agendados para os dias 13 e 14 de setembro. Segundo o regimento, a discussão de alterações constitucionais exige cinco sessões plenárias antes que a votação ocorra. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ressaltou sua intenção de pautar a proposta para votação na próxima semana.
Na última sexta-feira, o senador Cleitinho Azevedo divulgou um vídeo onde Alcolumbre confirme que a votação ocorrerá na quinta-feira, dia 15. Apesar de apoiar Flávio Bolsonaro, adversário de Lula nas eleições, Cleitinho tem defendido a aprovação da PEC que extingue a escala 6×1, modelo que concede apenas uma folga após seis dias de trabalho.
Alcolumbre não descartou a possibilidade de concluir a votação da PEC antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. De acordo com as regras do Senado, são necessárias três sessões de discussão antes da votação em segundo turno, o que exige um intervalo de cinco dias úteis, adiando a segunda votação para o final do mês.
Caso um pedido de quebra de interstício seja feito, Alcolumbre indicou que aceitaria colocá-lo em votação. A base governista, liderada por Luiz Inácio Lula da Silva, iniciou a coleta de assinaturas para viabilizar a realização dos dois turnos de votação no mesmo dia. A líder do governo, Teresa Leitão, afirmou que está confiante em obter o apoio necessário, apesar de não ter revelado o número exato de líderes já favoráveis à agilização do processo.
A votação requer o apoio de 54 senadores ou a anuência de líderes que representem essa quantidade em suas bancadas. A proposta de redução da jornada semanal de 44 para 40 horas é uma bandeira do governo Lula, sendo vista como uma estratégia eleitoral, dado que o presidente terminou o primeiro turno das eleições atrás do senador Flávio Bolsonaro.
Ainda não há posicionamento oficial do PL em relação à proposta, mas parlamentares do partido sinalizaram que a oposição não deve obstructar ou se afastar da discussão. Apesar das sessões de discussão necessitarem de um quórum reduzido, houve participação de mais de 50 senadores. Flávio Bolsonaro não esteve presente nos encontros anteriores.
A PEC busca reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, assegurando a concessão de duas folgas semanais, preferencialmente uma delas no domingo, sem comprometer a remuneração. As mudanças serão implementadas em duas etapas: a primeira, com a redução da carga para 42 horas, iniciará 60 dias após a promulgação, e a segunda, que estabelece as 40 horas, será aplicada após um ano. O texto foi aprovado na Câmara em maio e na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em setembro.
