sábado, outubro 10, 2026
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A Vida Após o Câncer: Um Novo Começo Cheio de Possibilidades!

O diagnóstico de câncer de mama configura uma alteração drástica na vida de uma mulher. O planejamento do tratamento é iniciado, exigindo a realização de uma série de exames em curto espaço de tempo, e a atenção se concentra no combate à doença, que pode incluir procedimentos como cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia.

Em meio a essa situação, mulheres em idade fértil precisam ser alertadas sobre a importância de preservar sua fertilidade. Entre o diagnóstico e o início do tratamento, há uma janela de aproximadamente duas semanas, crucial para aquelas que desejam ser mães, durante a qual é possível proceder com o congelamento de óvulos ou embriões.

O mês de outubro é destacado para a conscientização sobre o câncer de mama, e é uma oportunidade importante para discutir um aspecto frequentemente negligenciado nas campanhas: o futuro reprodutivo das mulheres diagnosticadas.

O tratamento oncológico pode ter efeitos prejudiciais sobre os ovários, diminuindo a reserva ovariana. A quimioterapia, por sua natureza, ataca todas as células que se dividem rapidamente, incluindo os folículos ovarianos. Os danos resultantes podem ser temporários ou permanentes, dependendo dos medicamentos, doses e duração do tratamento.

Cerca de 80% das mulheres que passam por quimioterapia para câncer de mama estão sob risco de amenorreia, manifestada pela interrupção da menstruação, que em muitos casos pode ser irreversível, levando a uma menopausa precoce. Além da quimioterapia, a radioterapia na região pélvica e certas intervenções cirúrgicas podem afetar negativamente a função ovariana. Assim, para muitas, o tratamento, embora essencial para salvar a vida, pode comprometer as chances de maternidade, se não forem tomadas precauções previamente.

A oncofertilidade surge como uma disciplina que integra a oncologia e a medicina reprodutiva, visando preservar a capacidade de gerar filhos para mulheres em idade fértil submetidas a tratamentos que podem prejudicar os ovários. A principal técnica utilizada é o congelamento de óvulos ou embriões, realizado antes do início da quimioterapia. O processo envolve uma estimulação ovariana que dura cerca de 10 a 12 dias, seguida pela coleta dos óvulos, que são então vitrificados se forem congelados sozinhos, ou fertilizados e armazenados no caso de embriões.

Nos casos em que o tempo é curto e não é possível esperar pelo início do ciclo menstrual, existem protocolos de estimulação que permitem iniciar o processo em qualquer fase do ciclo, otimizando o tempo sem comprometer a segurança. Quando o congelamento de óvulos não é viável, seja pela falta de tempo ou por contraindicações médicas, outras opções, como medicamentos que suspendem temporariamente a atividade ovariana durante a quimioterapia, podem ser consideradas para minimizar a exposição dos folículos ao impacto nocivo das drogas.

A discussão sobre a preservação da fertilidade deve ocorrer logo após o diagnóstico, antes que as decisões sobre o tratamento sejam finalizadas. Quanto mais cedo uma mulher for encaminhada a um especialista em reprodução, maiores serão as possibilidades à sua disposição. Dados mostram que todas as pacientes que tiveram orientação sobre preservação da fertilidade antes do tratamento reconheceram a relevância dessa informação nesse momento crítico. A autonomia em relação à reprodução tem início com a informação adequada.

Toda mulher em idade fértil que recebe um diagnóstico de câncer de mama tem o direito de ser informada sobre as alternativas de preservação de sua fertilidade antes de iniciar o tratamento. Portanto, é recomendável que aquelas que se encontram nessa situação consultem o oncologista quanto a um encaminhamento a um especialista em reprodução. Há vida após o câncer, e essa vida pode incluir a maternidade.

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