Integrantes do Centrão consideraram “delirante” a carta divulgada na quarta-feira, 28, pelo ex-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), na qual se autoproclama “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Segundo a análise dos parlamentares, essa atitude não contará com apoio institucional, nem mesmo do seu partido, o PL.
No documento, Flávio repetiu alegações, sem apresentar evidências, de que teria ocorrido fraude eleitoral no segundo turno. Entretanto, ele logo recuou, alterando a forma como se apresentou, passando a se descrever como “o líder do Brasil”.
Parlamentares do Centrão afirmaram que Flávio “ficará falando para as paredes” e mencionaram que nem Valdemar Costa Neto, presidente do PL, se prontificou a defender as afirmações do senador. Questionado sobre a carta, o PL optou por não se manifestar.
Há uma preocupação em relação à capacidade de Flávio de mobilizar apoiadores para protestos nas ruas, que poderiam intensificar o clima de tensão política. Na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), evitou fazer comentários sobre o conteúdo da carta. Após o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foram os primeiros a reconhecer a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em particular, alguns parlamentares fizeram ironias acerca do texto, notando o humor da comparação que Flávio fez com figuras ilustres, como o jurista Ruy Barbosa. Eles também expressaram receios de que a postura do senador possa resultar em um “efeito rebote”, fortalecendo tanto o governo Lula quanto o Supremo Tribunal Federal, que foram acusados por Flávio de conspirar contra ele.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, comentou o descontentamento de Flávio, reconhecendo sua indignação, mas ressaltando a importância de respeitar o resultado eleitoral e seguir em frente.
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também foi mencionado na carta, onde Flávio o agradece por sua recepção no país. No entanto, Trump se absteve de apoiar a tentativa de Flávio de se autoproclamar como “presidente eleito”, afirmando que não desejava se envolver nesse assunto.
Diante da situação, a retórica de Flávio e suas ações continuarão a ser alvo de análise pelos colegas parlamentares e pela opinião pública.

