O crescente número de litígios nas relações trabalhistas e as tensões nas negociações coletivas têm gerado incertezas e custos, além de representar riscos à continuidade das operações nas indústrias. Essa avaliação foi feita por Luiz Alberto de Souza Carvalho, presidente do Sindifer.
Outro desafio identificado é a dificuldade de converter os altos investimentos anunciados no Espírito Santo em oportunidades para fornecedores regionais. Apesar de que novos empreendimentos possam estimular a economia local, muitas empresas do estado ainda enfrentam barreiras técnicas, financeiramente e de capacitação para se engajar nesses projetos.
Um caso notável é o novo laminador da ArcelorMittal localizado na Serra, onde a empresa prevê um investimento que varia entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões.
De acordo com Carvalho, projetos dessa magnitude impulsionam uma vasta rede de fornecedores nos setores de serviços industriais, manutenção, montagem, estruturas metálicas, usinagem, engenharia, logística e outras atividades do ramo metalmecânico.
Diante desse cenário, o Sindifer propõe que o próximo governo priorize a sinergia entre grandes corporações, fornecedores, e instituições como Senai e Sebrae. A sugestão envolve um mapeamento das necessidades futuras, identificação de fornecedores locais e a implementação de programas de capacitação e certificação.
Além disso, a entidade destaca a importância de ampliar o acesso à informação sobre contratações e realizar rodadas de negócios, ações que poderiam auxiliar as empresas capixabas na conquista de contratos e na expansão de suas atividades.
Na esfera trabalhista, Carvalho sugere a criação de canais permanentes de comunicação entre empresas, trabalhadores, sindicatos e o governo. Embora a legislação laboral seja majoritariamente de atribuição federal, ele acredita que o governo estadual pode desempenhar um papel efetivo na mediação de conflitos, promovendo relações mais harmoniosas.
O presidente do Sindifer também enfatiza a necessidade de aprimorar a infraestrutura logística e energética, simplificar os processos de licenciamento e manter iniciativas que incentivam a atividade industrial.
Por fim, ele reforça que “investimentos industriais exigem planejamento a longo prazo, e é crucial que as empresas tenham clareza para tomar decisões quanto a custos, riscos e perspectivas de retorno”.

