quinta-feira, outubro 29, 2026
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Novo tratamento diminui episódios de apneia do sono

Um novo medicamento em teste demonstrou eficácia ao reduzir de maneira significativa as pausas respiratórias durante o sono em indivíduos com apneia obstrutiva. A pesquisa, que envolveu 691 participantes e foi divulgada em 20 de outubro na revista New England Journal of Medicine, mostra promissora redução dos episódios respiratórios.

Denominada retatrutida, a substância está sendo estudada para o tratamento da obesidade e de comorbidades associadas. Nos ensaios clínicos, os pacientes que foram tratados com o medicamento apresentaram uma redução média de até 34,3 episódios de apneia ou hipopneia por hora de sono.

A pesquisa destaca a importância dessa descoberta, pois a apneia do sono está ligada a doenças cardiovasculares, como o acidente vascular cerebral (AVC). No entanto, os pesquisadores ainda não conseguiram provar que o medicamento possa prevenir um AVC.

Os resultados foram obtidos através de dois estudos clínicos de fase 3 que monitoraram adultos com apneia obstrutiva moderada a grave e sobrepeso ou obesidade ao longo de 80 semanas. No grupo de participantes sem diabetes que receberam doses de 9 miligramas de retatrutida semanalmente, a redução média foi de 34,3 episódios respiratórios por hora, enquanto no grupo placebo houve uma diminuição de apenas 9,9 episódios. Entre os pacientes com diabetes tipo 2 que receberam 12 miligramas do medicamento, a redução média foi de 25,4 episódios por hora, em comparação com 10,3 no grupo placebo.

A apneia obstrutiva se caracteriza pelo bloqueio parcial ou total das vias aéreas durante o sono, resultando em interrupções e quedas na respiração. Esses episódios podem levar a diminuições da oxigenação sanguínea e a mais variações na pressão arterial. A condição está associada a um aumento nas taxas de hipertensão, AVC e doenças cardíacas.

A pneumologista Jéssica Polese, especialista em Medicina do Sono, enfatiza que os efeitos da apneia vão além do simples ronco. Durante o sono, interrupções respiratórias podem causar oscilações nos níveis de oxigênio e na pressão arterial, sendo fundamental investigar e tratar a apneia para proteger a saúde cardiovascular dos pacientes.

O tema é especialmente relevante, pois está próximo ao Dia Mundial do AVC, comemorado em 29 de outubro. Dados do Ministério da Saúde estimam que o Sistema Único de Saúde tenha registrado 292 mil atendimentos por AVC em 2025, dos quais 218 mil são de casos isquêmicos, causados por obstruções em vasos sanguíneos que irrigam o cérebro.

Apesar dos resultados promissores, a retatrutida ainda não recebeu aprovação para venda em nenhum país. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já proibiu a comercialização de produtos não regulamentados contendo a substância. Adicionalmente, ainda não existem estudos conclusivos que relacionem a redução dos episódios de apneia à diminuição do risco de AVC.

A pneumologista alerta para a necessidade de cautela na interpretação dos resultados, afirmando que a pesquisa demonstrou a redução dos eventos de apneia, mas não indicou que isso previna acidentes vasculares cerebrais. Para validar essa relação, serão necessários investigações adicionais.

Os sintomas da apneia do sono podem ser sutis, frequentemente não percebidos até que ocorra uma análise mais cuidadosa. Entre os sinais comuns estão roncos acentuados, pausas na respiração notadas por quem compartilha o ambiente e sensação de sufocamento durante a noite. Além disso, sentimentos de cansaço ao acordar e sonolência excessiva durante o dia são frequentes.

A obesidade surgiu como um dos principais fatores de risco modificáveis para essa condição, que também pode ser influenciada por características anatômicas e condições de saúde preexistentes. O tratamento atual pode incluir mudanças de estilo de vida, controle de peso e uso de aparelhos CPAP, que mantêm as vias aéreas desobstruídas enquanto se dorme, conforme a gravidade da apneia e a condição clínica do paciente.

A pneumologista ressalta que é essencial não aguardar o surgimento de problemas cardiovasculares para começar a investigar a qualidade do sono. O diagnóstico precoce ajuda a identificar a gravidade da apneia e a iniciar o tratamento adequado. Pacientes que perderem peso significativamente devem ser reavaliados antes de interromper qualquer terapia para a apneia.

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