segunda-feira, outubro 26, 2026
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Controle da Pressão Arterial Poderia Prevenir Mais de 500 Mil Mortes

A hipertensão arterial, conhecido como pressão alta, é responsável por mais de 380 fatalidades diárias no Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde. Globalmente, uma pesquisa indica que o controle dessa condição poderia prevenir anualmente mais de 500 mil mortes por doenças cardiovasculares.

Uma apresentação no Hypertension Scientific Sessions 2026, promovido pela American Heart Association, analisou dados de saúde de 20 países e encontrou que somente um em cada cinco adultos com hipertensão tinha a pressão arterial sob controle.

De acordo com o cardiologista Emílio Pereira Jr., a hipertensão é frequentemente silenciosa, tornando-se uma condição alarmante, comum e, muitas vezes, não diagnosticada. Ele ressalta que a estimativa de mortes não reflete totalmente a realidade, já que um grande número de pessoas não está ciente de seu diagnóstico, e entre as que sabem, muitas não realizam o tratamento adequado. Manter a pressão em níveis controlados é fundamental.

Esse quadro pode aumentar o risco de infarto, AVC, entre outras complicações cardiovasculares. Segundo o cardiologista, a hipertensão provoca picos de pressão que sobrecarregam órgãos como o coração e o cérebro, assim como as artérias. A cardiologista Tatiane Emerich complementa que essa condição aumenta o risco tanto de AVC isquêmico, causado por obstrução arterial, quanto do hemorrágico, resultante do rompimento de vasos.

Além disso, a hipertensão pode afetar as pequenas artérias cerebrais, acumulando danos ao longo dos anos e sendo uma das causas da demência vascular. Daniella Motta, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia no Espírito Santo, aponta que, segundo o Ministério da Saúde, 29,7% dos adultos nas capitais relataram ter hipertensão em 2024. A Organização Mundial da Saúde estima que apenas 38% dos brasileiros hipertensos entre 30 e 79 anos tiveram a hipertensão controlada. Isso significa que cerca de seis em cada dez não alcançaram o nível adequado de controle.

Os desafios incluem pessoas que desconhecem seu diagnóstico, dificuldades para manter acompanhamento médico, uso irregular de medicamentos e interrupção do tratamento quando a pressão se normaliza.

O cardiologista Diogo Barreto recomenda que a medição da pressão arterial comece na infância, a partir dos dois anos, uma vez que a hipertensão é uma doença silenciosa. Para adultos sem diagnóstico, a aferição deve ocorrer pelo menos duas vezes ao ano, enquanto os hipertensos devem medir a pressão com mais frequência, dependendo da fase da doença.

A hipertensão é uma condição crônica que, apesar de não ter cura, possui tratamento. Daniella Motta enfatiza que o tratamento deve ser contínuo e que a normalização da pressão não significa que a doença tenha sido erradicada. Muitas pessoas requerem uma combinação de medicamentos e ajustes nas doses durante o acompanhamento.

A hipertensão é caracterizada por valores iguais ou superiores a 140/90 mmHg, enquanto a pressão considerada ideal é inferior a 120/70 mmHg. Pressões entre essas faixas, como 120/80 mmHg ou 130/80 mmHg, demandam atenção, mas não representam necessariamente a necessidade de tratamento medicamentoso. A decisão sobre a conduta médica varia conforme o risco cardiovascular de cada indivíduo.

O impacto da hipertensão inclui danos aos vasos sanguíneos ao longo do tempo, mesmo sem a presença de sintomas, aumentando o risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca, arritmias e problemas renais, além de contribuir para a demência vascular.

Para prevenir e controlar a hipertensão, é recomendado medir a pressão regularmente, mesmo na ausência de sintomas, adotar uma dieta saudável, reduzir o consumo de sal, praticar exercícios, controlar o peso, evitar o tabagismo e limitar o consumo de álcool. Aqueles já diagnosticados devem continuar o tratamento e o acompanhamento médico, mesmo que os valores de pressão se normalizem.

A prevenção e o controle efetivos são essenciais para evitar complicações graves associadas à hipertensão.

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