domingo, outubro 25, 2026
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Campanhas de Pazolini e Ferraço geram R$ 9,6 milhões em financiamento público

As campanhas eleitorais de Lorenzo Pazolini, do Republicanos, e Ricardo Ferraço, do MDB, que definem neste domingo (25) o futuro governo do Espírito Santo a partir de 2027, movimentaram somas significativas para sustentar suas estruturas. As prestações de contas enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam diferenças no volume de gastos, na origem dos recursos e nas táticas de divulgação utilizadas pelos candidatos.

Até o início de outubro, Pazolini havia declarado R$ 5,208 milhões em despesas, enquanto Ferraço contabilizava R$ 4,399 milhões. Juntas, as despesas das duas candidaturas totalizam R$ 9,608 milhões, valor que pode mudar com a atualização e inclusão de novos dados.

Os números são oriundos das prestações de contas eleitorais disponíveis no Portal de Dados Abertos do TSE, organizados por uma plataforma de monitoramento eleitoral. Vale ressaltar que esses valores são parciais e podem ser corrigidos, não representando, portanto, o custo total das campanhas ou sendo exclusivos do segundo turno.

A candidatura de Pazolini reportou R$ 5.208.444,50, cerca de R$ 808,9 mil a mais do que os R$ 4.399.550,75 da campanha de Ferraço. Assim, o montante declarado por Pazolini é aproximadamente 18,4% superior ao de Ferraço.

A discrepância na quantidade de recursos acessados por cada lado é um indicativo da estratégia adotada por ambos, considerando que ambos possuem suporte partidário e financiamentos eleitorais. É essencial observar que as datas em que as contas foram atualizadas podem refletir não apenas os gastos já ocorridos, mas também o momento em que foram comunicadas à Justiça Eleitoral.

É crucial também distinguir entre despesas contratadas e valores efetivamente pagos. As despesas contratadas se referem aos compromissos financeiros assumidos, enquanto as despesas pagas correspondem aos valores quitados, portanto, esses dois tipos de dados não são equivalentes.

Pazolini priorizou a produção de programas de rádio, televisão e vídeo, o que representou a maior parte de suas despesas, totalizando R$ 1.440.105,00, ou cerca de 27,7% do total declarado. Os serviços jurídicos apareceram como a segunda maior despesa, somando R$ 1,25 milhão, cerca de 24% das despesas. A lista de gastos inclui também R$ 875,5 mil em serviços terceirizados, R$ 644.705,00 em materiais impressos e R$ 450 mil em serviços de contabilidade. No total, essas categorias abrangem aproximadamente 89,5% das despesas declaradas por Pazolini, refletindo a importância da comunicação e do suporte administrativo na campanha. A publicidade digital representa R$ 110 mil em impulsionamento de conteúdos, demonstrando uma abordagem diversificada em sua estratégia de divulgação.

Por outro lado, Ricardo Ferraço destacou a publicidade digital entre suas principais despesas, com R$ 1.123.965,00, o que representa cerca de 25,5% do total. Em seguida, a produção de conteúdo audiovisual aparece, com R$ 884,8 mil. Ferraço também declarou R$ 636.616,00 em serviços prestados por terceiros e R$ 500 mil em serviços jurídicos. Outros gastos significativos incluem R$ 344.994,85 em publicidade por adesivos. As cinco categorias mencionadas totalizam R$ 3.490.375,85, aproximadamente 79,3% das despesas da campanha.

A análise das despesas mostra que Pazolini alocou mais recursos em produção audiovisual e serviços jurídicos, enquanto Ferraço concentrou esforços na publicidade digital.

Uma parte importante para entender a situação financeira das campanhas é a origem dos recursos. Ambas as candidaturas receberam quantias significativas de seus partidos, especialmente através de fundos públicos dedicados ao financiamento eleitoral. Pazolini declarou receitas totais de R$ 9.032.319,26, sendo R$ 8.807.876,51 provenientes de partidos políticos, o que equivale a aproximadamente 97,5% de seus recursos. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fundo Eleitoral) e o Fundo Partidário juntos somaram quase R$ 8,9 milhões. Além disso, R$ 134.392,75 vieram de doações de indivíduos e R$ 90.050,00 de outras candidaturas.

No caso de Ferraço, as receitas totalizaram R$ 4.994.600,00, dos quais R$ 4.294.350,00 vieram de partidos, correspondendo a cerca de 86% do total. Sua campanha recebeu R$ 4 milhões do Fundo Eleitoral, R$ 100 mil do Fundo Partidário, R$ 656.750,00 de doações de pessoas físicas, R$ 38,5 mil de outras candidaturas e R$ 5 mil de recursos próprios.

As duas campanhas enfrentam uma dependência significativa do financiamento partidário, mas com composições distintas. A proporção de recursos de partidos é maior em Pazolini, enquanto Ferraço obteve um volume considerável de doações individuais.

O financiamento público está previsto na legislação eleitoral e é uma das principais fontes de recursos para candidatos e partidos. A discussão sobre a distribuição desse financiamento abrange questões de transparência, fiscalização e controle sobre o uso do dinheiro público.

Pazolini integra a coligação “Paz pra Viver um Novo Tempo”, composta por Republicanos, PL e Democrata. Ferraço faz parte da coligação “Agora É o Futuro”, que inclui MDB, Podemos, Agir, PSB, PDT, além das federações PSDB-Cidadania e União Progressista. Os valores apresentados referem-se apenas às candidaturas a governador, e não ao total consolidado dos partidos e candidatos da coligação. Para compreender o custo total de cada aliança, é necessário analisar também as despesas dos diretórios partidários e outras candidaturas, evitando a duplicidade de valores.

Os partidos e candidatos podem ter despesas próprias e transferir recursos entre si, conforme as normas eleitorais. As movimentações financeiras e os lançamentos individuais só serão conhecidos após o fechamento das contas gerais das eleições.

A análise das prestações de contas é crucial para que a sociedade acompanhe os fornecedores escolhidos, as categorias de despesas e a proveniência dos recursos utilizados nas campanhas, fundamentais para a fiscalização pública, especialmente em relação ao uso de verbas de fundos públicos. A divulgação detalhada das contas pode enriquecer o debate sobre o financiamento eleitoral e a utilização de recursos públicos, permitindo que órgãos de controle e cidadãos tenham acesso à forma como o dinheiro destinado às campanhas é empregado.

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