O deputado federal André Janones, do partido Rede-MG, declarou que não tem lições a oferecer ao presidente Lula sobre comunicação e afirmou que não é necessário que o petista aprenda a usar as redes sociais. Ele elogiou Lula, dizendo que o presidente é o melhor comunicador da história do Brasil, durante uma declaração feita após deixar o hospital em São Paulo, onde foi internado devido a uma arritmia cardíaca.
Janones comentou que Lula deve continuar a explorar seu carisma, enquanto os jovens aliados cuidam da tradução de sua comunicação para o meio digital. Em suas palavras, “O Lula simplesmente precisa da gente trabalhando nas redes sociais enquanto ele brilha”, fazendo uma analogia com o jogador argentino Lionel Messi, que também necessitaria de jogadores mais jovens ao seu redor.
O deputado é fundador do canal Exército do Lula, que conta com mais de 5,6 milhões de apoiadores no WhatsApp, tornando-se uma importante ferramenta de mobilização digital na campanha pela reeleição do presidente. Ele orienta os membros do grupo sobre estratégias de engajamento e disseminação de mensagens favoráveis ao governo.
Para Janones, Lula teve um desempenho notável no debate contra Flávio Bolsonaro, destacando a habilidade do presidente em criar momentos que viralizam nas redes, bem como seu talento para usar o humor e seu carisma. Ele mencionou um momento do debate em que Lula disse que gostaria de contar com o voto até do pai de Flávio, Jair Bolsonaro, uma frase que se transformou em meme e foi traduzida em diversas línguas.
O parlamentar explicou que sua estratégia para os últimos dias da campanha é flexível, sem um planejamento rígido, já que a dinâmica eleitoral depende de sentimentos e momentos. Ele está constantemente monitorando as reações do público nas redes sociais para decidir quais conteúdos promover.
Janones acredita que a esquerda superou a direita nas plataformas digitais, o que pode ser um indício de mudança nas eleições. Ele disse que a extrema-direita não deverá mais dominar as redes sociais, e atribuiu essa mudança à disseminação do conhecimento sobre algoritmos e mobilização digital, que agora é acessível a mais pessoas do que apenas sua equipe.
Janones apresentou a tese de que o envolvimento nas redes sociais pode antecipar o que as pesquisas eleitorais indicam. Ele citou dados que mostram que candidatos com forte presença nas redes tendem a se sair melhor nas urnas, apesar de enfatizar que isso não garante resultados por si só.
Para o segundo turno, o deputado defendeu uma campanha focada na argumentação, evitando ataques pessoais a Flávio Bolsonaro, visando mobilizar eleitores que não participaram do primeiro turno e conquistar os indecisos. Ele diferenciou entre bolsonaristas ideológicos e eleitores que optam por Flávio apenas por considerá-lo uma opção mais viável em relação a Lula, afirmando que seria possível convencê-los com um diálogo construtivo.
Janones foi hospitalizado após apresentar problemas de arritmia e falta de ar, desencadeados por uma alimentação inadequada e um padrão de sono prejudicial nos dias anteriores. Ele mencionou não ter sentido emoções intensas durante o debate ou qualquer provocação memorável.
Após receber alta, o deputado se comprometeu a se comunicar com seus seguidores, escolhendo o horário 13h13 para isso, em referência ao número do PT.

