José Renato Quaresma, ex-diretor da base do Santos, anunciou sua candidatura à presidência do clube, em meio a críticas ao atual presidente, Marcelo Teixeira, e à gestão financeira da equipe. Desde sua saída em março, Quaresma se posicionou contra as decisões administrativas que, em sua visão, geraram problemas financeiros significativos.
Em uma análise da situação financeira do Santos, ele questiona o destino dos recursos que o clube recebeu, mencionando que, apesar da entrada de investimentos, a gestão excessiva de salários e negociações mal planejadas resultou em baixa produtividade. Quaresma destaca que a dívida do clube, principalmente com o pai do jogador Neymar, que atualmente é de R$ 80 milhões, vem se tornando um fardo.
O ex-diretor considera inviável o projeto de construção de um novo estádio em parceria com a WTorre, afirmando que não se pode acomodar 30 mil torcedores em uma área tão limitada como a da Vila Belmiro. Ele propõe que a Vila se torne um atrativo turístico e sugere que o Santos envie mais partidas para o interior de São Paulo enquanto busca alternativas para um novo estádio.
Ao justificar sua candidatura, Quaresma ressalta seu vasto conhecimento da gestão esportiva e financeira, adquiridos ao longo de anos de experiência na administração de sua própria empresa e em consultorias pelo mundo. Ele acredita que sua expertise pode levar a mudanças necessárias dentro do clube, especialmente em relação à gestão de seus processos e finanças.
O candidato manifesta preocupação com o elevado custo das contratações e sugere que o Santos deve priorizar o desenvolvimento de talentos da base, em vez de inflar o elenco com atletas caros, muitos dos quais não se mostram produtivos.
A questão da formação de atletas nas categorias de base é central em sua abordagem. Quaresma critica a falta de oportunidade para os jogadores formados no Santos e salientou que, com tantas contratações, a competição interna para os jovens talentos se torna desleal. Ele reafirma a importância de valorizar o DNA formador do clube.
Quanto à administração e as futuras contratações, ele revelou que está analisando nomes de executivos e treinadores, visando promover uma gestão mais eficiente, que considere o trabalho nas categorias de base e o futebol feminino.
A candidatura de Quaresma também abordou o futuro do Santos em relação à Sociedade Anônima do Futebol (SAF), na qual ele se mostra favorável, mas com a ressalva de que é preciso evitar sucatear o clube para vendê-lo a um preço não condizente. Ele enfatiza que qualquer investimento deve vir acompanhado de um plano claro de desenvolvimento e retorno.
Em tópicos sobre o novo CT em São Vicente, Quaresma se compromete a buscar alternativas caso existam pendências ambientais e reafirma o objetivo de preparar um espaço adequado para as categorias de base.
Ele critica o projeto com a WTorre, que considera inadequado, e sugere que a Vila Belmiro deva ser um patrimônio do futebol, servindo como um centro do turismo esportivo, enquanto um novo estádio deve ser pensado para o time profissional.
Por fim, o candidato se mostrou a favor de renovar o contrato com Neymar, visto como um ícone do clube, e afirmou que todas as parcerias, incluindo a relacionada ao dinheiro dos direitos de transmissão, precisam ser reavaliadas para aumentar a arrecadação e melhorar a saúde financeira do Santos.

