domingo, outubro 11, 2026
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Dengue Recua no País, Mas a Presença do Aedes Mantém Alerta no Espírito Santo

Estado se prepara para risco de arboviroses no contexto do El Niño

Embora Brasil tenha registrado uma queda acentuada dos casos de dengue em 2026, os riscos associados ao Aedes aegypti ainda permanecem. O segundo ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), divulgado recentemente pelo Ministério da Saúde, revela que 49,2% dos 3.732 municípios que reportaram dados ao Governo Federal estão em situação de alerta ou risco quanto à presença do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika. O levantamento foi realizado entre maio e agosto.

No Estado do Espírito Santo, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) continua monitorando as arboviroses por meio de documentos epidemiológicos, vigilância laboratorial, controle de ovitrampas e um painel estadual dedicado às arboviroses. Em 1º de outubro, foi publicado um boletim referente à 38ª Semana Epidemiológica, e a Sesa tem assegurado que os dados entomológicos se mantêm atualizados, indicando a continuidade na vigilância do vetor mesmo com a diminuição dos casos registrados.

Os dados nacionais demonstram uma redução significativa na transmissão. Até 26 de setembro, o Brasil contava 470,5 mil casos prováveis de dengue em 2026, contra 1,5 milhão no mesmo período de 2025, resultando em uma queda de aproximadamente 70%. Os casos de chikungunya caíram de 118.885 para 67.902, e os registros de zika diminuíram de 3.724 para 2.141.

No Espírito Santo, a pressão epidemiológica também está em declínio em relação aos períodos críticos anteriores, mas a Sesa enfatiza que não é o momento de relaxar as medidas de controle. Os dados estaduais são constantemente atualizados pelo sistema e-SUS/VS, e a secretaria alerta que os números podem mudar conforme novas notificações são analisadas e investigadas.

Um contexto regional ajuda a entender a situação. No informe da Superintendência Regional de Saúde de Colatina, referente às semanas epidemiológicas de 1 a 37 até 18 de setembro, foram registrados 2.230 casos prováveis de dengue, resultando numa incidência acumulada de 416,47 casos por 100 mil habitantes. Os municípios de Baixo Guandu e Pancas apresentaram incidências elevadas, atingindo 2.957,73 e 3.238,19 casos por 100 mil habitantes, respectivamente.

O mesmo informe noticiou dois casos de dengue grave e um óbito, além de 97 casos de dengue com sinais de alarme. Esses números indicam que, apesar da diminuição da circulação do vírus em comparação aos grandes ciclos epidêmicos, ainda há áreas com transmissão significativa.

Criadouros domésticos

O LIRAa nacional evidencia que o problema dos criadouros continua a prevalecer, especialmente em ambientes domésticos. Vasos e pratos de plantas, garrafas e pequenos recipientes foram responsáveis por 42,3% dos locais com criadouros identificados. Reservatórios de água, como caixas-d’água e tonéis, somaram 26,1%, enquanto pneus e resíduos sólidos representaram 23%. Essa realidade reafirma a importância da vigilância contínua, mesmo fora dos períodos de alta transmissão.

No Espírito Santo, a Sesa coordena o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) de Arboviroses, que busca unificar as ações de vigilância e resposta às arboviroses. De acordo com a secretaria, o objetivo é “fortalecer a vigilância, capacitar profissionais e direcionar as ações de controle do vetor.”

A estrutura estadual também conta com um sistema de monitoramento utilizando ovitrampas, que são armadilhas para detectar a presença do mosquito através da coleta de ovos. A Sesa tem disponibilizado informes entomológicos regulares, detalhando a vigilância do vetor em várias semanas de 2026.

Além disso, a vigilância laboratorial se mantém ativa. O Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen-ES) emite boletins sobre dengue e seus sorotipos, além de chikungunya e zika, monitorando geneticamente os vírus em circulação no estado. O boletim de vigilância genômica foi atualizado no final de setembro.

Preparação para o Verão e El Niño

O Ministério da Saúde alerta sobre a necessidade de antecipar as medidas de controle devido à proximidade do Verão e às condições climáticas típicas do El Niño. A combinação de calor e umidade pode favorecer a reprodução do mosquito, e, por isso, há uma recomendação para que estados, municípios e a população intensifiquem as ações antes do aumento sazonal das transmissões.

No Espírito Santo, este alerta também se reflete nas orientações do Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES). Em um documento divulgado em setembro, foram propostas a intensificação da vigilância entomológica, a realização do LIRAa antes da fase crítica estimada para outubro e novembro, além do dimensionamento e possível reforço das equipes de agentes de endemias.

As recomendações incluem ainda o mapeamento das unidades de saúde em risco de alagamentos e a elaboração de planos para garantir a continuidade dos serviços, além de reforçar as campanhas de comunicação e mobilização para erradicar criadouros.

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