segunda-feira, outubro 12, 2026
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Moradores do Jardim da Penha exigem vistoria devido a problemas no Tancredinho

Denúncias de infiltrações e problemas estruturais surgem após a inauguração

Leonardo Sá

Após mais de dois meses da inauguração da quadra coberta na Praça Regina Frigeri Furno, em Jardim da Penha, conhecida como “Tancredinho”, moradores levantaram preocupações sobre falhas estruturais relacionadas à obra executada pela Prefeitura de Vitória, sob a administração de Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Cris Samorini (PP). A comunidade já havia sinalizado problemas na gestão do espaço e na falta de comunicação com as autoridades, mas foi após as primeiras chuvas mais intensas que se tornaram evidentes as falhas na estrutura, incluindo o incidente com uma caixa de som que cedeu e ficou pendurada na cobertura.

A Associação de Moradores de Jardim da Penha (Amjap) destacou também questões concernentes a infiltrações e a inadequação das arquibancadas, que não oferecem proteção suficiente contra as intempéries. O coordenador-geral da Amjap, Angelo Del Caro, classificou os problemas como “estruturais graves”, observando que a situação se agravou após as chuvas. “A caixa cedeu e isso é extremamente perigoso”, enfatizou.

O coordenador expressou sua preocupação com a segurança, especialmente considerando a alta circulação de pessoas no espaço, que é utilizado para atividades diurnas e noturnas. “No último fim de semana, havia pessoas dentro da quadra. É muito preocupante, pois não conhecemos os riscos envolvidos”, alertou.

Além do episódio relacionado à caixa de som, moradores relataram infiltrações e a entrada de água em diversos pontos da cobertura da quadra. As críticas ao projeto arquitetônico da obra persistem, com a comunidade destacando a insuficiência da proteção contra as chuvas e o sol nas arquibancadas desde a entrega da obra. “O projeto é problemático e insuficiente”, avaliou.

Inaugurada após um ano e meio de obras e um investimento de R$ 2,886 milhões, a estrutura do “Tancredinho” foi motivo de críticas desde sua concepção. Antes do início das obras, moradores já expressavam descontentamento quanto à falta de participação popular no desenvolvimento do projeto e às possíveis alterações na dinâmica da praça, que tem histórico de uso para atividades culturais, esportivas e comunitárias. Desde então, a Amjap tem solicitado informações sobre horários, regras de uso e acesso ao espaço.

A associação agora se volta para a segurança estrutural e já solicitou a análise do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) para uma vistoria técnica que identifique os riscos da obra. “Precisamos de uma avaliação para entender as potenciais ameaças à segurança”, explicou Angelo.

A Amjap também tentou contato com a Prefeitura de Vitória e a secretaria responsável pela obra em busca de esclarecimentos sobre as falhas relatadas, mas até o momento não obteve respostas. “Estamos tentando discutir a situação, mas não tivemos retorno da secretaria”, comentou o representante da associação.

Os novos questionamentos acrescentam-se ao debate que pauta o “Tancredinho” desde seu anúncio. Em 2024, os moradores organizaram audiências públicas para discutir o projeto e enfatizaram a necessidade de envolvimento da população nas decisões relacionadas às mudanças na praça. A Amjap alega que muitas sugestões comunitárias não foram integradas ao projeto e que a participação popular foi limitada ao longo do processo.

Preocupações anteriores incluíam a mudança na circulação de ar no local, a redução da visibilidade entre os espaços e os impactos sobre as atividades tradicionais da praça, como projetos esportivos e ações comunitárias. A Amjap defende que os problemas estruturais evidenciam a necessidade de uma supervisão contínua da quadra e de um diálogo mais próximo entre o poder público e os frequentadores do espaço. “A quadra é importante para o bairro e precisamos garantir sua segurança e funcionalidade”, concluiu Angelo.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Vitória em busca de informações sobre diagnósticos técnicos, vistorias pós-chuva, medidas de manutenção e cronograma para avaliação estrutural do equipamento. Também foram questionados sobre a comunicação do pedido de fiscalização ao Crea-ES. Até o fechamento desta edição, não houve resposta.

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