domingo, outubro 11, 2026
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Governo de Israel procura o apoio da ultradireita europeia, apesar de seu histórico antissemita

Israel busca reforçar suas relações com partidos de ultradireita na Europa, mesmo diante do histórico de antissemitismo que permeia algumas dessas legendas, em meio a um cenário de crescente isolamento internacional.

Em resposta às críticas sobre a forma como está conduzindo a guerra na Faixa de Gaza, o governo de Binyamin Netanyahu se defende acusando os opositores de alimentarem o antissemitismo, enquanto mantém um tom conciliador com os líderes que apoiam suas ações.

Revelações de escritos antissemitas atribuídos a Jordan Bardella, líder do partido de ultradireita Reunião Nacional na França, provocaram uma defesa por parte do ministro israelense responsável pelo Combate ao Antissemitismo. Bardella, considerado um potencial candidato à presidência francesa em 2027, foi destacado por Amichai Chikli como uma “voz clara da Europa contra o Hamas”. O ministro israelense lembrou que Bardella visitou locais afetados pelo ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, que deu início a um conflito devastador em Gaza.

O governo de Netanyahu, que é um dos mais conservadores desde a criação do Estado de Israel em 1948, também começou a normalizar relações com o Partido da Liberdade (FPÖ) na Áustria, fundado por ex-membros do regime nazista. Além disso, autoridades israelenses têm buscado laços com líderes de extrema direita na Suécia, Espanha e Reino Unido, motivados por preocupações comuns relacionadas ao islamismo e à imigração.

A diplomacia israelense também apresentou uma mudança significativa em sua postura na América Latina, após a chegada ao poder de líderes de direita radical na Argentina e na Colômbia. No entanto, a extrema direita alemã, representada pelo partido AfD, permanece à margem dessa nova estratégia.

De acordo com um ex-embaixador de Israel na Alemanha, partidos europeus de ultradireita tentam obter um “certificado kosher” para se distanciar de seu violento passado. Ele observou que essa relação pode representar um risco para os valores de Israel e sua reputação internacional, destacando a importância de considerar o impacto desse apoio nas comunidades judaicas, especialmente na França e na Áustria.

No Reino Unido, a visita de Tommy Robinson, um proeminente ativista de extrema direita, a Jerusalém gerou preocupação entre líderes judeus, que ficaram alarmados com suas opiniões anti-islâmicas. Além disso, as autoridades israelenses têm adotado uma retórica mais agressiva em relação a críticos ocidentais, como o ministro das Relações Exteriores, que pressionou um líder britânico a se opor a sanções a produtos israelenses.

A aproximação de Netanyahu com a ultradireita tem como objetivo, segundo especialistas, evitar a formação de um consenso europeu contra Israel. Ele menciona a colaboração prévia entre Netanyahu e o ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, que frequentemente apoiava Israel enquanto propagava estereótipos antissemitas.

Analistas acreditam que, se a coalizão de Netanyahu perder as futuras eleições, a postura em relação a figuras da ultradireita pode mudar. Apesar de não preverem uma ruptura com esses líderes, é esperado que o novo governo não associe Israel a esse espectro político.

Um ex-embaixador expressou a necessidade de maior pragmatismo e moderação na política de Israel em relação a figuras controversas, alertando que alianças com a ultradireita podem resultar em um rótulo duradouro para o Estado israelense.

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