A deputada Camila Valadão (PSOL) foi reeleita com 61,5 mil votos, enquanto o PL, partido que viu sua representação na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) aumentar de três para seis cadeiras.
Na disputa pelas vagas na Ales nas eleições de 2026, as duas maiores votações foram registradas por candidatos do PSOL e PL. Camila Valadão liderou o total de votos, com 61,5 mil, seguida por Capitão Assumção (PL) que obteve 60 mil, e Pastor Dinho Souza (PL) com 51,9 mil. Camila ampliou seu próprio recorde de votação feminina, que já era de 52,2 mil em 2022. O PL, por sua vez, dobrou sua representação e se tornará a maior bancada na próxima legislatura, com seis deputados.
Capitão Assumção, que já havia sido uma figura proeminente na oposição ao governo Renato Casagrande (PSB), mudou sua abordagem em relação à atuação no Legislativo. Adotando um estilo mais conciliatório, ele passou a elogiar a gestão estadual, mesmo que ainda mantenha algumas manifestações alinhadas ao bolsonarismo. Em julho, voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes e se posicionou em relação aos atos de 8 de janeiro.
Pastor Dinho Souza chega à Ales após um mandato conturbado como vereador da Serra, onde se envolveu em debates sobre costumes, segurança e religião. Em 2025, o Ministério Público do Espírito Santo iniciou um inquérito para apurar declarações consideradas discriminatórias e intolerantes. Durante o mesmo ano, Dinho controversamente usou uma peruca em um discurso para criticar a inclusão da misoginia como crime de preconceito, resultando em denúncia ao Ministério Público e ao Conselho Estadual LGBTQIAPN+. Além disso, ele foi coautor de um projeto de multa para quem usasse drogas em espaços públicos, considerado inconstitucional por alguns vereadores.
O PL elegeu mais quatro deputados, totalizando seis dos 30 assentos na Ales a partir de 2027. No campo progressista, além da reeleição de Camila, o PT conseguiu eleger Karla Coser e Açucena, tendo Karla como a quarta mais votada, com 51,3 mil votos, e Açucena com 35,9 mil.
Camila Valadão aponta que a vitória de candidatos com posturas políticas definidas em meio a um ambiente de polarização nacional reflete uma demanda do eleitorado por posicionamentos claros. “As votações mais expressivas são de pessoas que não estão em cima do muro, mas posicionadas”, observou.
A deputada também relaciona seu sucesso ao trabalho realizado no primeiro mandato, destacando sua posição independente em relação ao governo estadual, seu engajamento em temas de direitos humanos e meio ambiente e seu vínculo com movimentos sociais como fatores relevantes para seu desempenho nas eleições.
Desafios Financeiros
Entretanto, a boa performance na Assembleia ocorre em um contexto desafiador para o PSOL em âmbito nacional. A federação PSOL/Rede não conseguiu atingir a cláusula de desempenho requerida nas eleições para a Câmara dos Deputados, ficando a apenas 186 votos de cumprir o critério no Estado. A nova regra demanda que partidos ou federações obtenham ao menos 2,5% dos votos válidos para a Câmara, em no mínimo nove estados, ou elejam 13 deputados federais. A falha em cumprir uma dessas exigências compromete o acesso ao Fundo Partidário e à propaganda eleitoral em rádio e televisão.
