As empresas, embora não tenham a responsabilidade exclusiva de solucionar a crise estrutural da educação no Brasil, sentem na pele os efeitos da falta de profissionais qualificados e podem, de maneira proativa, contribuir para mitigar esse problema.
A discussão sobre produtividade frequentemente gira em torno de temas como carga tributária, taxa de juros, infraestrutura e regulamentações, mas um aspecto crucial ainda é negligenciado nas estratégias de aumento da produtividade: a formação de talentos.
A carência de mão de obra qualificada tornou-se um desafio abrangente, afetando empresas de diversos tamanhos e setores. Essa escassez não apenas eleva os custos com recrutamento, mas também intensifica a rotatividade de funcionários e limita os ganhos de produtividade.
Embora o dilema seja coletivo, as soluções implementadas até agora têm sido, em grande parte, isoladas. Uma variável importante a ser considerada é que as companhias que investem na capacitação de seus colaboradores frequentemente compartilham os benefícios desse investimento com todo o setor. Profissionais habilitados transitarão entre diferentes empresas, setores e regiões, espalhando os benefícios, mas os custos dessa formação são suportados por uma única organização.
Assim, se estabelece uma dinâmica ineficiente na qual algumas empresas arcam com o custo da qualificação enquanto outras se beneficiam desse trabalho. Quando os ganhos são difundidos, mas os gastos permanecem localizados, a motivação para o investimento tende a diminuir.
Esse é um tema já explorado em economias reconhecidas por sua competitividade. Na Alemanha, mais de 1 milhão de jovens participa do sistema dual de formação profissional, que integra as empresas e instituições educacionais. Em Singapura, iniciativas como o programa SkillsFuture reúnem governo, empregadores e trabalhadores em uma estratégia contínua de desenvolvimento de habilidades. Nos dois casos, a formação de talentos é vista como um ativo essencial para a competitividade nacional, e não como uma responsabilidade exclusiva de um único agente.
Nesse cenário, o Investimento Social Corporativo pode desempenhar um papel cada vez mais significativo, não só como um meio de promover impacto social, mas também como uma ferramenta para desenvolver a economia, fortalecendo produtividade e competitividade.
Se empresas que atuam no mesmo setor se beneficiam da existência de profissionais qualificados, faz sentido que também colaborem na formação desses talentos.
No Espírito Santo, essa questão ganha destaque com o advento de novos ciclos de investimento nas áreas de logística, indústria, petróleo e gás, e infraestrutura. Atrair capital é primordial, porém é igualmente crucial preparar a mão de obra necessária para sustentar esses investimentos.
A continuidade desses projetos de investimento dependerá, em grande parte, da nossa capacidade de educar os profissionais que sustentarão esse desenvolvimento.
Talvez tenhamos em mãos uma oportunidade ainda não completamente explorada: utilizar o Investimento Social Corporativo de maneira coordenada para abordar desafios comuns e ampliar a capacidade produtiva no Espírito Santo.
A produtividade não é gerada apenas por tecnologia, infraestrutura ou capital, mas principalmente pelo talento humano.


