sábado, outubro 3, 2026
AdvertismentGoogle search engineGoogle search engine
InícioEconomiaSetor de biocombustíveis pode transformar o Brasil na “Opep da energia sustentável”?

Setor de biocombustíveis pode transformar o Brasil na “Opep da energia sustentável”?

Em um contexto de crescente demanda por energia e de instabilidades no fornecimento, como o fechamento do Estreito de Ormuz, o Brasil se apresenta como um potencial líder na transição energética global, especialmente no que diz respeito à bioenergia. A previsão de que a população mundial alcance 10 bilhões de pessoas até 2050 ressalta a urgência de políticas energéticas eficazes e sustentáveis.

Arnaldo Jardim, deputado e presidente da Comissão de Transição Energética e Hidrogênio Verde da Câmara, destacou que a nova Lei do Combustível do Futuro já atraiu investimentos da ordem de R$ 289 bilhões. Essa legislação é vista como um marco regulatório crucial para o setor energético.

Durante o painel “Biocombustíveis e Transição Energética”, parte do Global Agribusiness Festival em São Paulo, Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial, aludiu ao Brasil como a “Opep da energia verde”, em função do seu potencial para liderar na produção de fontes renováveis.

Para que o país alcance esse patamar, Hammerschmidt enfatizou que o biocombustível deve ser tratado como uma “política de Estado” e não apenas como uma obrigatoriedade legal. Ele argumentou que é essencial garantir a autonomia da matriz energética nacional, evitando a dependência de combustíveis importados. Sugere-se, ainda, que diante da crise internacional de combustíveis, o Brasil antecipe a mistura de 20% de biodiesel no diesel, inicialmente prevista para 2030, já que há regiões enfrentando escassez do produto.

O vice-presidente também apontou que as 60 indústrias de biodiesel do país possuem uma capacidade instalada de 17 bilhões de litros, com uma produção atual de 10 bilhões de litros, evidenciando um excedente de 7 bilhões de litros. Além disso, mencionou que a escassez de diesel tende a persistir por algum tempo devido à destruição de parte da infraestrutura de refino da Rússia, relacionada à guerra na Ucrânia, e ao risco de proibições de exportação do combustível por parte dos Estados Unidos.

Os especialistas no painel concordaram que a transição energética não deve ser entendida como uma mera substituição de combustíveis fósseis por renováveis. Mário Campos, presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais, destacou que a transição é, na verdade, uma estratégia de adição energética que apresenta oportunidades para os biocombustíveis.

Oportunidades também foram mencionadas para o Brasil em setores como o Combustível de Aviação Sustentável (SAF) e na substituição do bunker marítimo por etanol. Campos sublinhou que um terço da matriz brasileira é composto por bioenergia, promovendo uma transição energética que não depende da China, que atualmente detém grande parte do domínio nessa área.

Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, reafirmou a importância do setor de petróleo na evolução energética, ressaltando tecnologias desenvolvidas pela Petrobras, como a reinjeção de CO2 após a extração de petróleo e gás. De acordo com estimativas, desde 2006, a exploração do pré-sal impediu que 88 milhões de toneladas de CO2 fossem emitidas na atmosfera.

A mensagem central que emergiu do debate é que o Brasil deve reafirmar sua posição como potência na produção de alimentos e energia, buscando sempre a qualidade e a competitividade em seus projetos energéticos.

RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais populares