Celebrado na quarta-feira, 29 de setembro, o Dia Mundial do Coração traz à tona a importância da prevenção e do cuidado com doenças cardiovasculares. Em um contexto de avanços no Espírito Santo, hospitais da região iniciam a utilização de uma nova metodologia no combate às arritmias cardíacas: a ablação por campo pulsado (PFA). Essa técnica, que se utiliza de pulsos elétricos de alta energia, atua de maneira precisa no tecido cardíaco responsável por irregularidades no ritmo do coração.
Com a implementação dessa tecnologia, instituições como o Vitória Apart e o Santa Rita realizaram procedimentos inovadores no dia 30, passando a integrar o seleto grupo de hospitais brasileiros que adotam a PFA no tratamento de arritmias.
A introdução da PFA representa um significativo progresso na eletrofisiologia, uma especialidade da cardiologia focada no diagnóstico e tratamento de distúrbios do ritmo cardíaco. Ao contrário da radiofrequência, que aquece o tecido cardíaco para promover lesões, a nova abordagem emprega energia elétrica para intervir nas células que causam a anormalidade do ritmo.
Na prática, a nova tecnologia transforma a dinâmica dos procedimentos. No Vitória Apart, ela é combinada com uma plataforma de mapeamento cardíaco tridimensional, permitindo que a equipe médica visualize o coração e localize as áreas que necessitam de intervenção.
A fibrilação atrial, por exemplo, é uma condição em que os estímulos elétricos que regulam o batimento cardíaco perdem a organização, levando a uma atividade elétrica desordenada nos átrios. A ablação busca interromper os focos dessa atividade anormal. “Essa tecnologia nos permite tratar uma área maior num único momento, tornando os procedimentos mais rápidos e seguros, reduzindo a exposição do paciente e proporcionando uma atuação mais precisa,” afirma um cardiologista do Vitória Apart.
No Hospital Santa Rita, a PFA também agora faz parte das opções disponíveis para a equipe de eletrofisiologia. Um especialista da unidade ressalta que a principal diferença em relação às técnicas térmicas está na energia utilizada. Até então, as opções eram limitadas ao tratamento das formas mais simples de fibrilação atrial. Com a introdução de novos cateteres, agora é possível tratar tanto as formas simples quanto as complexas da condição, além de arritmias ventriculares.
A tecnologia não se restringe ao sistema Volt. O Hospital Santa Rita também incorpora o cateter TactiFlex Duo, que possibilita a alternância entre radiofrequência e ablação por campo pulsado durante um único procedimento, oferecendo aos médicos mais opções para personalizar o tratamento com base nas características clínicas e anatômicas dos pacientes.
Com o sistema Volt, um único cateter pode desempenhar funções de mapeamento e ablação, minimizando a necessidade de troca de dispositivos durante a cirurgia. Essa plataforma é projetada para se adaptar a diferentes anatomias cardíacas, favorecendo o tratamento minimamente invasivo de arritmias. Ambas as tecnologias fazem parte do portfólio de eletrofisiologia de uma empresa especializada e foram registradas pela agência reguladora em 2026, surgindo em um momento promissor para alternativas de tratamento.


