O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, expressou sua preocupação com a forma como os clubes brasileiros têm utilizado os recursos provenientes das casas de apostas. Ele acredita que essa verba tem sido predominantemente direcionada para o aumento dos salários dos jogadores, sem um planejamento adequado.
Na última segunda-feira, 28, Bap, presidente do Flamengo, participou do programa “Mengocast” e comentou sobre a recente Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prevê a proibição da atuação das casas de apostas no Brasil. Bap pediu que essa decisão seja reconsiderada pelos órgãos legislativos do país, afirmando que a rejeição deve ser motivada pela defesa da democracia e pela necessidade de um processo legislativo mais adequado.
Ele ressalta que a MP trará consequências severas para o Flamengo e para outros esportes, prevendo perdas de receitas que podem variar entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões somente no próximo ano. Essa situação tornaria inviável o cumprimento de compromissos financeiros assumidos pelo clube, como o pagamento a atletas.
O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, Lucas Rocha Furtado, apresentou um pedido solicitando que a MP entre em vigor apenas a partir do dia 31 de dezembro. Sua justificativa está ligada à necessidade de um tempo de transição adequado para garantir segurança jurídica aos envolvidos, além de apontar o caráter eleitoreiro da decisão.
A legislação atual determina que os clubes devem remover toda a publicidade das casas de apostas até as 23h59 do dia 5 de outubro, data limite também para que os apostadores retirem seus saldos. Bap defendeu uma transição mais gradual para evitar desconforto e incerteza nos clubes.
O Flamengo, que mantém um contrato de patrocínio máster com a Betano, no valor de R$ 266 milhões anuais, enfrenta um desafio considerável diante dessa nova diretriz. Bap questionou como o clube poderá cumprir suas obrigações financeiras diante das mudanças súbitas impostas pela MP.
Durante sua participação no programa, Bap enfatizou que a maioria dos recursos financeiros que sustentam o clube provém de incentivos fiscais, especialmente os associados às apostas. Ele alertou para o risco de o futebol brasileiro sofrer um enfraquecimento em comparação com o argentino, ressaltando que essa decisão não contribuirá para a redução das dívidas enfrentadas pelo torcedor médio brasileiro.


