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A Assembleia Geral da ONU, que desempenha um papel crucial na diplomacia global, se destaca mais pelos seus simbolismos do que por anúncios significativos. Para quem cobre o evento, é desafiador acompanhar a agenda intensa que inclui discursos de 193 países-membros e de observadores, além de reuniões paralelas e bilaterais.
Durante a Assembleia, novos líderes e veteranos da diplomacia mundial se reúnem em Nova York. Representantes de nações adversárias compartilham o mesmo espaço e fazem declarações que comunicam mensagens diretas e indiretas. Um símbolo notável foi a saída de delegações que criticam Israel do plenário antes da fala do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, que atacou esses países em seu discurso.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou os trabalhos na segunda-feira, seguindo a tradição de o Brasil abrir o debate geral. No seu décimo discurso na ONU, Lula enfatizou a importância da soberania, afirmando que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”, uma clara referência aos Estados Unidos e também um tema central de sua campanha. Ele abordou questões que conectam a esquerda brasileira à luta global, como a situação em Gaza e a crise climática.
O discurso de Donald Trump foi marcado pela agressividade, ressaltando sua postura de “rolo compressor” que busca sustentar a hegemonia americana. Ele enfatizou a “opção” de negociar ou aniquilar o Irã e previu a queda do regime cubano, além de prometer que não freará o avanço da inteligência artificial.
Em outro contexto, Delcy Rodríguez fez seu primeiro discurso como líder da Venezuela, sem mencionar o governo de Nicolás Maduro, que está preso. Em suas declarações, ela buscou se apresentar como promotora de uma transição democrática, enfatizando a reconstrução do país e sugerindo novidades políticas.
À margem da Assembleia, Trump se encontrou com aliados latino-americanos, discutindo a classificação de organizações criminosas como terroristas, o que pegou o Brasil de surpresa. Na mesma linha, o ex-presidente americano tentou reforçar suas alianças eleitorais na região, afirmando seu apoio incondicional aos aliados.
Além disso, Trump esteve em discussões com países árabes sobre um “Conselho da Paz” que poderia abordar o conflito em Gaza e o que considera um desafio iraniano. Ele insinuou que os Estados Unidos podem precisar recorrer à força militar novamente em relação ao Irã.
O combativo discurso do premier israelense não foi isolado. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou Israel e os EUA de terrorismo, reiterando a ideia de que a segurança na região deve ser coletiva.
Uma reunião do Conselho de Segurança da ONU também se destacou ao abordar os riscos do desenvolvimento da inteligência artificial, com a presença de especialistas do setor clamando por regulamentação e colaboração global.
Os Estados Unidos e a Dinamarca firmaram um novo acordo de segurança referente à Groenlândia, um passo visto mais como uma vitória para a primeira-ministra dinamarquesa do que para a administração Trump, considerando as ameaças passadas do presidente sobre a ilha.
Por fim, enquanto Xi Jinping não discursou na ONU, ele se encontrou com Trump na Casa Branca, estabelecendo um tom de cordialidade entre os dois líderes, apesar das tensões subjacentes nas relações comerciais e políticas.


