O Tesouro Nacional anunciou que, em julho, o governo central registrou um superávit primário de R$ 10,783 bilhões, valor que se mostra próximo das expectativas do mercado e significativamente superior ao déficit de R$ 59,070 bilhões registrado no mesmo mês de 2025, que foi influenciado por mudanças no calendário de desembolsos de precatórios.
Os economistas previam um resultado superavitário em torno de R$ 10,679 bilhões para o mês de julho. O desempenho positivo foi impulsionado por receitas líquidas de R$ 226,305 bilhões, um crescimento real de 7,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior, e despesas totais que alcançaram R$ 215,522 bilhões, resultando em uma queda real de 20,7%.
Neste ano, os pagamentos de precatórios foram antecipados para março, enquanto em 2025 a maior parte desses desembolsos ocorreu em julho. Os dados recentes indicam uma redução de 99% nos pagamentos de sentenças judiciais entre julho de 2023 e julho de 2024, com uma diferença de R$ 37,1 bilhões na comparação mensal.
As despesas com benefícios previdenciários também apresentaram uma redução de R$ 18,1 bilhões (-17,7%), evidenciando o impacto dos gastos menores com precatórios. Os pagamentos destinados a pessoal e encargos sociais caíram R$ 4,2 bilhões, o que corresponde a uma diminuição de 8,9%.
Por outro lado, houve um crescimento na despesa com créditos extraordinários, que aumentaram R$ 4,2 bilhões devido às medidas adotadas para mitigar os impactos econômicos decorrentes do conflito no Oriente Médio. No que diz respeito às receitas, as elevações no Imposto de Renda (crescimento de R$ 7 bilhões, ou 9,1% em relação a julho de 2025), na arrecadação de R$ 5 bilhões pela exploração de recursos naturais (alta de 29,4%) e nas receitas previdenciárias líquidas (crescimento de 7,4% com R$ 4,2 bilhões) foram fundamentais para equilibrar os recuos registrados em outras áreas, como a arrecadação da Cofins (-9,0%) e no Pis/Pasep (-10,9%).
No acumulado de janeiro a julho, o governo central registrou um déficit primário de R$ 81,305 bilhões, comparado a um déficit de R$ 70,347 bilhões no mesmo período de 2025. Em um período de 12 meses, o déficit acumulado atingiu R$ 71,6 bilhões, correspondente a 0,55% do PIB.
Daniel Leal, secretário do Tesouro Nacional, destacou que os aumentos nas receitas estão relacionados ao impacto nos preços do petróleo em decorrência da situação de conflito no Oriente Médio. O imposto sobre exportação de petróleo contribuiu com R$ 8 bilhões às contas do governo até julho, além de ganhos extraordinários oriundos de participações especiais e exploração de recursos naturais.
As receitas superam os R$ 7 bilhões gastos pelo governo em subvenções a combustíveis, cujo objetivo é minimizar o impacto da alta de preços dos produtos. Após a suspensão da cobrança do imposto sobre exportação de petróleo por uma decisão da Justiça Federal, Leal optou por não comentar sobre o caso ou possíveis respostas do governo, reiterando que o compromisso fiscal do governo permanece inalterado, com metas a serem cumpridas independentemente das fontes de receita. A meta fiscal para 2026 prevê um superávit de 0,25% do PIB, com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, além de incluir despesas não contabilizadas.


